Ruanda chega a acordo para receber Fórmula 1 em 2030, mas anúncio oficial ainda é aguardado
O Ruanda terá chegado a acordo para receber um Grande Prémio de Fórmula 1 a partir de 2030, num projecto que prevê a construção de um circuito permanente próximo de Kigali e poderá devolver o Mundial ao continente africano 37 anos depois da última corrida.
Foto: DR
Colaborador
A informação ganhou força nesta quarta-feira, 7 de Outubro, depois de a Reuters repercutir a notícia inicialmente avançada pelo RacingNews365, segundo a qual foi alcançado um entendimento para integrar o Ruanda no calendário da Fórmula 1 em 2030.
Há, porém, uma ressalva editorial importante: a Fórmula 1, a FIA e o Governo ruandês ainda não anunciaram formalmente o acordo. Por isso, o Grande Prémio deve, neste momento, ser tratado como um projecto com acordo reportado por fontes próximas das negociações, e não como uma prova oficialmente confirmada no calendário. Meios ruandeses consultados nesta quarta-feira fazem a mesma ressalva.
Caso a operação seja formalizada, será o primeiro Grande Prémio africano desde 1993, quando Kyalami recebeu o Grande Prémio da África do Sul.
Novo circuito deverá nascer próximo do aeroporto de Bugesera
O projecto ruandês não depende da adaptação de uma pista existente. O plano prevê a construção de um circuito permanente a cerca de 40 quilómetros de Kigali, próximo do Aeroporto Internacional de Bugesera. RacingNews365
O desenho está associado à WurzDesign, empresa do antigo piloto de Fórmula 1 Alexander Wurz. A estrutura deverá aproveitar a topografia da região para criar um traçado rápido e fluido. O envolvimento de Wurz no projecto já era conhecido desde o lançamento da candidatura ruandesa.
A construção de uma pista homologada constitui uma das etapas decisivas antes de qualquer estreia. Além da infra-estrutura desportiva, o país terá de cumprir requisitos de segurança, logística, capacidade hoteleira, transportes e organização exigidos pela Fórmula 1 e pela FIA.
Candidatura começou oficialmente em 2024
Paul Kagame anunciou formalmente a intenção de receber a Fórmula 1 em Dezembro de 2024, durante as Assembleias Gerais e a cerimónia anual de prémios da FIA realizadas em Kigali.
Na ocasião, Kagame confirmou que o país estava em negociações com o presidente e CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, e afirmou que o Ruanda encarava o projecto com “seriedade e compromisso”.
As negociações continuaram desde então. O projecto ruandês passou a disputar a possibilidade de devolver a Fórmula 1 a África com alternativas como Kyalami, na África do Sul, enquanto outras propostas foram associadas nos últimos anos a países como Marrocos e Nigéria.
A eventual entrada do Ruanda representaria, por isso, uma decisão estratégica importante para a expansão geográfica do campeonato.
África poderá encerrar ausência de 37 anos
A Fórmula 1 não compete no continente africano desde 14 de Março de 1993, quando Alain Prost venceu em Kyalami pela Williams.
Se a estreia ruandesa ocorrer efectivamente em 2030, terão passado 37 anos entre as duas provas.
O regresso a África tem sido defendido publicamente por Lewis Hamilton, enquanto Domenicali e o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, também reconheceram anteriormente a importância de encontrar um projecto sustentável para o continente.
O próximo passo será precisamente o mais importante: a confirmação formal pela Fórmula 1 e pelas autoridades ruandesas. A Reuters refere que o anúncio poderá ocorrer ainda este ano.
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