Ouro entre compatriotas termina sem aperto de mão e reacende polémica no ténis de Taiwan
Hsieh Su-wei e Liang En-shuo conquistaram o ouro de pares femininos nos Jogos Asiáticos, mas a final totalmente taiwanesa terminou com novo episódio de tensão entre Hsieh e Chan Hao-ching.
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A final de pares femininos dos Jogos Asiáticos de Aichi-Nagoya produziu neste sábado, 3 de Outubro, uma situação pouco habitual: Taiwan assegurou simultaneamente ouro e prata, mas uma rivalidade interna voltou a sobrepor-se à celebração colectiva.
Hsieh Su-wei e Liang En-shuo derrotaram as compatriotas Chan Hao-ching e Wu Fang-hsien por 6-4, 4-6 e 10-5, em 1h59, no Higashiyama Park Tennis Center. A agência oficial CNA confirma o resultado e a dobradinha taiwanesa.
Para Hsieh, de 40 anos e vencedora de nove títulos de Grand Slam em pares, foi o terceiro ouro da carreira nos Jogos Asiáticos. A veterana não disputava a competição desde Incheon 2014.
O episódio que transformou a final numa história para além do resultado aconteceu junto à rede. Chan revelou à Reuters que tinha decidido, antes do encontro, deixar para trás as divergências recentes e cumprimentar Hsieh depois da partida. O aperto de mão entre as duas, porém, não aconteceu.
A tensão já tinha ficado exposta no US Open de Setembro, quando as duas também não se cumprimentaram depois de um encontro de pares. Na ocasião, Hsieh jogava ao lado de Jelena Ostapenko, e um confronto verbal envolvendo a letã e o box de Chan acabou por ampliar uma relação já deteriorada entre as taiwanesas. As duas trocaram posteriormente críticas nas redes sociais.
Chan explicou que desta vez pretendia agir de forma diferente por considerar que estava a representar Taiwan nos Jogos Asiáticos, mas afirmou que a tentativa de cumprimento não teve resposta.
A vice-campeã levantou ainda outra questão: disse ter ficado incomodada ao ver o seleccionador principal de Taiwan a aplaudir Hsieh durante o super tie-break, argumentando que esperava neutralidade do responsável técnico numa final disputada exclusivamente por atletas da mesma delegação. Reuters
Hsieh não procurou esconder a divergência. Questionada sobre o episódio, respondeu que o respeito entre adversárias é fundamental e acrescentou que, quando entende não existir reciprocidade, não sente necessidade de cumprimentar a outra jogadora.
O contraste marcou a cerimónia. As quatro jogadoras subiram ao mesmo pódio — Hsieh e Liang com o ouro, Chan e Wu com a prata — depois de terem garantido antecipadamente uma inédita final inteiramente taiwanesa.
O resultado desportivo reforça a força de Taiwan nos pares femininos. A polémica, porém, mostra que duas das suas jogadoras mais importantes continuam separadas por uma rivalidade que já atravessou Grand Slam, redes sociais e agora uma final dos Jogos Asiáticos.
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Paulo Massunda