Zheng Qinwen faz história em Pequim: de 160.ª mundial à primeira chinesa a conquistar o China Open
Zheng Qinwen tornou-se a primeira tenista chinesa a conquistar o China Open, depois de derrotar Mirra Andreeva na final e completar uma recuperação histórica no circuito feminino.
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Colaborador
A chinesa Zheng Qinwen conquistou, no domingo, 11 de Outubro, o título de singulares femininos do China Open, ao derrotar a russa Mirra Andreeva, por 7-5 e 6-4, tornando-se a primeira jogadora da China a vencer o torneio WTA 1000 de Pequim.
A vitória, alcançada em uma hora e 43 minutos, representa o primeiro título da chinesa desde Outubro de 2024 e o sexto da carreira no circuito WTA.
Segundo a WTA, na reportagem oficial publicada após a final, Zheng tornou-se também a primeira jogadora convidada pela organização (wild card) a conquistar a competição desde a sua reformulação, em 2004. Women's Tennis Association
Aos 24 anos, a campeã olímpica de Paris 2024 protagonizou uma das recuperações mais expressivas da temporada, depois de uma lesão no cotovelo direito a ter afastado durante vários meses das competições.
O problema físico provocou uma queda acentuada no ranking mundial. Antiga quarta classificada, Zheng chegou à 160.ª posição em Junho de 2026, regressando progressivamente à competição.
Em Pequim, entrou no quadro principal como número 54 mundial e terminou a semana com o maior título da carreira no circuito WTA.
A Reuters, que acompanhou a final, destacou a superioridade da chinesa nas trocas de bolas e a eficácia da sua direita, que colocou dificuldades constantes à adversária. Reuters
O encontro começou de forma desfavorável para Zheng.
Andreeva conquistou uma quebra de serviço logo no início e chegou a liderar o primeiro set por 2-0.
A chinesa conseguiu recuperar a desvantagem, mas voltou a enfrentar dificuldades quando a russa dispôs de três pontos para conquistar o parcial, com o resultado em 5-4.
Zheng salvou as três oportunidades e venceu os últimos 11 pontos do set, fechando-o por 7-5.
No segundo parcial, a chinesa voltou a demonstrar maior eficácia nos momentos decisivos, conquistando uma quebra de serviço no nono jogo.
A servir para o título, encerrou o encontro com um ás, caindo de seguida no piso, visivelmente emocionada.
De acordo com a Associated Press, a conquista representou o fim de um período de quase dois anos sem títulos para a campeã olímpica.
A vitória estabelece ainda uma marca estatística inédita na história dos torneios WTA 1000.
Zheng perdeu 78 jogos ao longo dos sete encontros disputados em Pequim, o maior número registado por uma campeã de uma competição de categoria Tier I ou WTA 1000 desde 1990.
O recorde anterior pertencia à suíça Belinda Bencic, que perdeu 66 jogos durante a campanha vitoriosa em Toronto, em 2015.
A chinesa precisou de três sets para vencer os primeiros quatro encontros, mas terminou a competição com três vitórias consecutivas em dois parciais.
O desempenho demonstra a capacidade de resistência de uma jogadora que, apesar de ainda procurar recuperar a melhor condição física, conseguiu superar sucessivos momentos de dificuldade.
A conquista terá também consequências importantes para o ranking mundial.
Segundo a WTA, Zheng regressará ao grupo das 30 melhores jogadoras na actualização seguinte à competição, depois de ter iniciado o torneio na 54.ª posição.
A vitória sobre Andreeva representou igualmente o 14.º triunfo da carreira frente a uma adversária do Top 10 mundial.
Apesar da derrota, Mirra Andreeva também alcançou um marco histórico.
A russa, de 19 anos, deverá subir ao terceiro lugar do ranking mundial, tornando-se a terceira jogadora mais jovem deste século a alcançar pela primeira vez essa posição, atrás apenas de Maria Sharapova e Kim Clijsters.
A informação foi confirmada pela WTA na análise estatística da final.
Para Zheng, a conquista representa mais do que um título.
Depois de alcançar a final do Open da Austrália e conquistar a medalha de ouro olímpica em 2024, a chinesa enfrentou um período de dificuldades físicas que interrompeu a sua ascensão.
O regresso começou a ganhar consistência no US Open de 2026, onde alcançou os quartos-de-final depois de ultrapassar a fase de qualificação.
Em Pequim, confirmou a recuperação com a conquista do primeiro WTA 1000 da carreira.
A vitória representa igualmente um momento importante para o desenvolvimento e a popularidade do ténis na China, país que tem investido na organização de grandes competições internacionais.
Segundo dados divulgados pela organização do China Open e publicados pelo China Daily, a 12 de Outubro, a assistência acumulada deverá ultrapassar 450 mil espectadores, um crescimento de 25% relativamente à edição anterior.
A receita de bilheteira atingiu 132 milhões de yuans, aproximadamente 19,7 milhões de dólares, estabelecendo um novo máximo para a competição.
A conquista de Zheng, perante o público chinês, acrescenta uma dimensão histórica a uma temporada que começou marcada pelas dificuldades físicas e terminou, em Pequim, com o regresso da jogadora aos títulos.
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Paulo Massunda