“A escravatura foi a maior barbaridade cometida contra os africanos”, afirmou Dionísio da Fonseca
No evento, Angola reforça a sua posição internacional como defensora dos direitos dos africanos e afro-descendentes.
Foto: DR
Nilwa António
Jornalista & Editor Chefe
O ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Dionísio Manuel da Fonseca, reafirmou o compromisso do País com o reconhecimento e correcção das injustiças sofridas pelos povos africanos, tendo recordado que “a escravatura foi a maior barbaridade cometida contra os africanos, deixando cicatrizes profundas nas sociedades, que persistem por séculos”.
Discursando num evento de alto nível sobre justiça reparatória pelo tráfico de africanos escravizados e pela escravidão racializada, uma iniciativa promovida pelo ex-presidente ganês John Damani Mahama, onde esteve a representar o chefe de Estado angolano, João Lourenço, o governante destacou que milhões de africanos foram subjugados, maltratados e mortos enquanto eram transportados como mercadoria para sustentar o desenvolvimento das potências colonizadoras e dos seus cidadãos, com direitos humanos elementares sendo negados a eles.
Na mesma intervenção, o ministro enfatizou a conexão histórica de Angola com os primeiros afro-descendentes nos Estados Unidos, citando William Tucker, nascido em 1624 em Jamestown, Virginia, como descendente de angolanos, e lembrou ainda que, entre os séculos XV e XIX, muitos angolanos foram barbaramente capturados e exportados para trabalho escravo, contribuindo involuntariamente para o desenvolvimento económico das potências europeias e seus territórios controlados.
Ao tratar do conceito de justiça reparatória, Dionísio da Fonseca sublinhou que ela “não é um favor, nem uma simples indemnização, pois o dano causado aos africanos é difícil, se não impossível, de mensurar”.
A justiça reparatória, explicou o interlocutor, busca restaurar a dignidade das comunidades e indivíduos marginalizados, reconhecendo o sofrimento infligido e promovendo a correção de erros históricos.
Por isso, destacou, a reparação deve ir além de compensações financeiras, incluindo medidas como a participação efectiva dos países africanos em grandes tribunas multilaterais, incluindo a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas; o perdão das dívidas dos países africanos; a devolução de património histórico e cultural retirado indevidamente do continente; investimentos em projectos de desenvolvimento inclusivo e sustentável definidos pelos próprios africanos; e o retorno de recursos financeiros ilicitamente retirados do continente para aplicação em infra-estrutura e iniciativas de progresso social.
O ministro finalizou o seu discurso apelando à acção imediata: “Não podemos ficar parados diante de tantas injustiças. É tempo de agir, de compensar, restaurar e de fortalecer os alicerces de uma sociedade global mais justa e equitativa. Que possamos nos unir para transformar o passado sombrio em futuro de esperança e prosperidade para todos.”
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