Luanda, Angola
Desporto

África volta a colocar três jovens no quadro principal do US Open após 23 anos

Pela primeira vez desde 2003, três tenistas masculinos de países africanos alcançaram o quadro principal de singulares do US Open Junior na mesma edição.

África volta a colocar três jovens no quadro principal do US Open após 23 anos

Foto: Tyler McFarland, Simon Bruty e Rhea Nall/USTA

Pa

Paulo Massunda

Colaborador

9 set 2026
5 min de leitura
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Connor Doig, da África do Sul, Ntungamili Raguin, do Botswana, e Oluwaseun Peter Ogunsakin, da Nigéria, protagonizaram um marco relevante para o ténis africano no torneio juvenil de Nova Iorque.

A informação foi confirmada pela International Tennis Federation (ITF/World Tennis), que assinala que esta é a primeira vez desde 2003 que três rapazes provenientes de nações africanas entram no quadro principal do US Open Junior Championships na mesma edição.

O destaque maior pertenceu inicialmente ao nigeriano Oluwaseun Peter Ogunsakin, de 17 anos, que conseguiu um feito histórico ao derrotar Kuan-Shou Chen, de Chinese Taipei, por 5-7, 6-3 e 7-5 na primeira ronda. Foi a primeira vitória de um tenista nigeriano num encontro de singulares de quadro principal de um Grand Slam — incluindo competições profissionais e juvenis — desde Nduka Odizor, no Australian Open de 1990.

Ogunsakin já vinha a quebrar barreiras. Em Wimbledon, este ano, tornou-se o primeiro nigeriano a alcançar um quadro principal de Grand Slam, profissional ou juvenil, desde Odizor no US Open de 1990. A presença em Nova Iorque confirmou a evolução de um jogador que tem beneficiado dos programas internacionais de desenvolvimento e do centro regional africano de treino em Sousse, na Tunísia.

A campanha do jovem nigeriano, entretanto, terminou na segunda ronda. Frente ao sul-africano Connor Doig, Ogunsakin perdeu por 2-6, 6-4 e 3-6, num confronto que colocou frente a frente dois dos três representantes desta geração africana no quadro principal.

Doig segue, assim, como um dos nomes africanos ainda em competição. O sul-africano, de 18 anos, já chegou a ocupar o 36.º lugar do ranking mundial juvenil e conquistou este ano o título de pares masculinos juniores do Australian Open.

Botswana também escreveu história

O terceiro nome desta história é Ntungamili Raguin, de 17 anos. O tenista tornou-se o primeiro jogador do Botswana a alcançar o quadro principal juvenil do US Open.

Raguin garantiu a qualificação depois de superar o norte-americano Izyan Ahmad por 7-5 e 7-6(9) numa batalha de aproximadamente duas horas e meia. Antes de Nova Iorque, o jovem já tinha participado nos outros três Grand Slams juvenis de 2026, incluindo uma presença histórica no Australian Open, onde chegou aos oitavos-de-final.

A campanha de singulares do representante do Botswana terminou na primeira ronda, mas a qualificação por si só reforça a dimensão do momento vivido pelo ténis africano.

“Não estou apenas a representar-me”

Ogunsakin resumiu a responsabilidade que acompanha esta geração numa declaração divulgada pela ITF.

Sei que não estou apenas a representar-me. Estou a representar o meu país, a minha família e a minha academia de ténis.

O nigeriano acrescentou que procura servir de exemplo para os mais jovens e mostrar que grandes objectivos podem ser alcançados independentemente do ponto de partida.

O crescimento não acontece isoladamente. O Global Tennis Report já tinha identificado aumento da participação e maior profundidade competitiva em regiões historicamente sub-representadas, incluindo África. A presença simultânea de três jogadores africanos no quadro principal do US Open Junior oferece agora um sinal concreto dessa evolução.

Para o continente, o significado ultrapassa os resultados individuais. África regressa a uma representação colectiva que não conseguia no quadro juvenil masculino do US Open há 23 anos, com Botswana, Nigéria e África do Sul a mostrarem que uma nova geração começa a ganhar espaço entre os melhores juniores do mundo.

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