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Desporto

Canal+ e LaLiga unem forças contra pirataria em quase 50 países

Canal+ e LaLiga assinaram um acordo internacional para reforçar o combate às transmissões ilegais de futebol em quase 50 países.

Canal+ e LaLiga unem forças contra pirataria em quase 50 países

Foto: DR

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Redacção

11 set 2026
5 min de leitura
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A parceria, anunciada esta sexta-feira, 11 de Setembro, abrange mercados da Europa, África subsaariana e Haiti onde o grupo Canal+ transmite jogos da principal divisão espanhola. Segundo a Reuters, as duas organizações vão combinar tecnologias de combate à pirataria, realizar investigações conjuntas e desenvolver acções coordenadas de sensibilização e intervenção institucional. Os termos financeiros do acordo não foram divulgados.

O alcance africano da iniciativa não é circunstancial. A própria LaLiga confirma oficialmente que o Canal+ Group distribui actualmente a competição espanhola em mais de 40 países no mundo, incluindo mercados da África subsaariana e Haiti. A relação comercial entre as duas organizações foi ainda reforçada recentemente com um novo acordo que tornou a Canal+ detentora exclusiva dos direitos da LaLiga na Polónia até 2030/31.

Equipas especializadas vão trabalhar em conjunto

O director-executivo do Canal+, Maxime Saada, explicou à Reuters que a primeira medida prática será aproximar as equipas especializadas das duas organizações para que passem a trabalhar conjuntamente.

A intenção é combinar capacidades tecnológicas e de investigação para identificar e reagir mais rapidamente às redes responsáveis pela retransmissão ilegal dos conteúdos.

O presidente da LaLiga, Javier Tebas, revelou que o acordo vinha a ser preparado há vários meses e enquadrou a iniciativa numa tentativa de melhorar a resposta a redes criminosas que alteram rapidamente os métodos utilizados para distribuir conteúdos ilegalmente.

Tebas voltou a associar directamente a pirataria à sustentabilidade económica dos clubes, lembrando que os direitos audiovisuais constituem uma fonte fundamental de receitas do futebol profissional. Segundo o dirigente, a questão da pirataria já surge praticamente em todas as negociações internacionais de direitos de transmissão.

Receitas televisivas dos clubes espanhóis caíram 5,2%

O contexto financeiro ajuda a perceber a dimensão do problema.

De acordo com dados da LaLiga citados pela Reuters, as receitas provenientes das transmissões dos clubes profissionais espanhóis diminuíram 5,2% na temporada 2024/25, para 1,43 mil milhões de euros.

No mesmo período, as receitas comerciais chegaram a 1,58 mil milhões de euros, ultrapassando as receitas audiovisuais e tornando-se a maior fonte de rendimento do futebol profissional espanhol.

A parceria surge, portanto, num momento em que LaLiga e operadores procuram proteger o valor dos direitos desportivos não apenas no mercado espanhol, mas também nos territórios internacionais onde esses conteúdos são comercializados.

Canal+ já obteve decisões importantes nos tribunais

O acordo com a LaLiga não representa o início da ofensiva do Canal+ contra a pirataria.

Em 27 de Março de 2026, o Tribunal de Recurso de Paris decidiu a favor do grupo num processo relacionado com o bloqueio de serviços ilegais de streaming e IPTV através de fornecedores alternativos de DNS, incluindo Google, Cloudflare e Cisco.

O próprio Canal+ classificou a decisão como inédita em França. O tribunal considerou tecnicamente possível e proporcional exigir o bloqueio dos serviços ilegais através destes intermediários.

A estratégia judicial vem de vários anos. Segundo o Canal+ Group, o grupo conseguiu decisões para bloqueio de sites ilegais através de fornecedores de Internet em 2022, avançou sobre fornecedores alternativos de DNS em 2024 e posteriormente sobre serviços de CDN, proxy e VPN.

Em Maio de 2025, por exemplo, um tribunal de Paris determinou que cinco fornecedores de VPN — NordVPN, CyberGhost, Surfshark, ExpressVPN e Proton — bloqueassem o acesso a 203 domínios associados à transmissão ilegal de competições cujos direitos em França pertenciam ao Canal+, incluindo Champions League, Premier League e Top 14.

LaLiga também intensifica operações internacionais

Do lado espanhol, a ofensiva também ultrapassou há muito as fronteiras de Espanha.

Em Julho deste ano, a LaLiga anunciou apoio à operação internacional denominada “Tarjeta Roja”, que resultou no bloqueio de mais de 1.800 domínios e endereços electrónicos na América Latina, relacionados com transmissões ilegais de eventos desportivos e outros conteúdos audiovisuais durante o Mundial de 2026.

A organização também reforçou em Julho a cooperação tecnológica com o Global Sports Innovation Center (GSIC), numa iniciativa destinada a estudar soluções tecnológicas aplicadas à protecção de conteúdos audiovisuais no desporto.

Em Espanha, os mecanismos utilizados pela LaLiga continuam, porém, a provocar discussão. A RTVE reportou esta semana a reactivação dos bloqueios de endereços IP durante as jornadas do campeonato, uma medida que a LaLiga considera necessária para travar transmissões ilegais, mas que tem provocado críticas devido à possibilidade de afectar serviços legítimos alojados nas mesmas infra-estruturas.

Pirataria pode atingir 1,5 mil milhões de euros em França

Maxime Saada dimensionou também o problema no mercado francês.

Segundo o responsável do Canal+, a pirataria provoca uma perda estimada em cerca de 1,5 mil milhões de euros de valor por ano em França, além de retirar ao Estado francês várias centenas de milhões de euros em receitas fiscais.

Tebas chamou ainda a atenção para a crescente sofisticação das estruturas utilizadas na distribuição ilegal. À Reuters, apontou como exemplo empresas baseadas na China que combinam actividades legais e ilegais, tornando mais difícil identificar responsabilidades e aplicar as leis existentes.

A nova aliança entre Canal+ e LaLiga procura precisamente responder a essa internacionalização: em vez de cada detentor de direitos actuar isoladamente, as duas organizações pretendem partilhar tecnologia, informação e capacidade de investigação nos mercados em que os seus interesses se cruzam.

Para o futebol, a disputa vai muito além da disponibilidade de transmissões na Internet. O que está em causa é a protecção do valor dos direitos audiovisuais, uma das bases do modelo económico que financia clubes, competições e operadores em diferentes mercados.

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