Luanda, Angola
Ciência

DNA de varíola é recuperado de múmias do período colonial no Chile

Cientistas identificaram DNA do vírus da varíola em duas múmias com cerca de cinco séculos, revelando evidências directas da chegada da doença às Américas.

DNA de varíola é recuperado de múmias do período colonial no Chile

Foto: DR

Pa

Paulo Massunda

Jornalista e CEO

31 jul 2026
5 min de leitura
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Investigadores recuperaram, pela primeira vez, DNA antigo do vírus da varíola em duas múmias humanas encontradas no norte do Chile e datadas do início do período colonial espanhol, fornecendo evidências moleculares directas da presença da doença nas Américas durante a conquista europeia.

O estudo, publicado na quinta-feira, 30 de Julho de 2026, na revista Science, analisou os restos mortais de uma mulher com cerca de 30 a 35 anos e de um homem entre 18 e 20 anos, encontrados próximo da costa do Pacífico, na região de Camarones.

As duas pessoas foram naturalmente mumificadas e enterradas envoltas em tecidos de lã de camelídeo, acompanhadas por objectos funerários. Os investigadores estimam que a infecção tenha ocorrido durante o século XVI, período em que os espanhóis avançavam sobre os territórios do antigo Império Inca.

A análise genética mostrou que os dois vírus pertenciam a uma linhagem actualmente extinta do vírus da variola, situada entre estirpes conhecidas da Europa medieval e outras que circularam nos séculos seguintes. Os genomas encontrados eram quase idênticos, sugerindo que as duas pessoas podem ter sido infectadas durante o mesmo surto ou pela mesma estirpe viral.

A varíola foi uma das doenças mais devastadoras levadas pelos europeus para as Américas. Sem imunidade prévia à doença, as populações indígenas foram fortemente afectadas por sucessivas epidemias. Algumas estimativas apontam que a varíola e outras doenças infecciosas contribuíram para a morte de até 90% das populações indígenas em algumas regiões das Américas.

Os investigadores afirmam que o material genético recuperado também permite compreender melhor a evolução do vírus. O estudo indica que a evolução genética do agente infeccioso desacelerou durante as grandes epidemias associadas à colonização, voltando a acelerar após a introdução da primeira vacina contra a varíola, em 1796.

A varíola foi declarada erradicada pela Organização Mundial da Saúde em 1980, depois de uma campanha global de vacinação. O último caso de transmissão natural foi registado na Somália, em 1977.

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