Michelin retira pneu traseiro macio em Motegi após problemas graves na Sprint
A Michelin retirou o pneu traseiro macio das opções para o Grande Prémio do Japão depois de vários pilotos sofrerem blistering na Sprint, incluindo Jorge Martín e Francesco Bagnaia; o treino de aquecimento de domingo será duplicado para permitir testes com o composto duro reforçado.
Foto: DR
Paulo Massunda
Colaborador
A decisão altera de forma significativa a preparação para a corrida principal deste domingo, 4 de Outubro, no Mobility Resort Motegi.
Depois de analisar os pneus utilizados nas 12 voltas da Sprint, a Michelin decidiu, em conjunto com a organização, que o composto traseiro macio não poderá ser utilizado no Grande Prémio. Os pilotos terão apenas o médio e o duro à disposição.
O problema apareceu de forma particularmente evidente nas motos de Jorge Martín e Francesco Bagnaia.
Bagnaia sofreu uma deterioração tão severa do pneu traseiro que entrou nas boxes perto do final da Sprint. Martín também terminou a prova com danos importantes provocados pela degradação.
Piero Taramasso, responsável da Michelin no MotoGP, explicou que o novo asfalto de elevada aderência de Motegi, combinado com uma temperatura de pista próxima dos 40 °C e o ritmo particularmente elevado da Sprint, provocou temperaturas muito altas nos pneus traseiros. A Sprint deste ano foi disputada cerca de nove segundos mais rápido do que em 2025.
Problema não ficou limitado ao pneu macio
A preocupação aumentou porque o composto médio também apresentou sinais de blistering.
Jack Miller foi um dos apenas dois pilotos que utilizaram o médio na Sprint e revelou que o pneu terminou com várias bolhas na zona central. O outro foi Marco Bezzecchi, cujo pneu não apresentou o mesmo problema.
Segundo Taramasso, a diferença mostra que configuração da moto, estilo de pilotagem, wheelspin e quantidade de energia transmitida ao pneu traseiro também influenciam o fenómeno.
A Michelin mantém, por isso, o médio disponível para domingo, mas considera que exigirá gestão cuidadosa durante as 24 voltas.
Michelin recomenda duro que ninguém utilizou no fim-de-semana
A opção recomendada pela fabricante francesa é agora o pneu traseiro duro com construção reforçada, desenvolvido para dissipar melhor o calor.
Existe, porém, uma incógnita importante: nenhum piloto completou até agora uma volta em Motegi com esse pneu durante este fim-de-semana.
O composto utiliza uma construção semelhante à empregue recentemente no Red Bull Ring, na Áustria.
Miller chegou a considerar que o duro poderia tornar-se obrigatório depois dos problemas da Sprint. A organização optou por não chegar tão longe: o médio continuará permitido e a escolha caberá às equipas e pilotos.
Warm-up passa de 10 para 20 minutos
A consequência imediata será uma alteração excepcional ao programa de domingo.
O MotoGP confirmou que o warm-up será aumentado de 10 para 20 minutos, precisamente para permitir que pilotos e equipas avaliem o pneu duro e adaptem as motos antes da corrida.
A decisão pode tornar a escolha dos pneus num dos elementos determinantes do Grande Prémio.
Marc Márquez venceu a Sprint deste sábado e reduziu para apenas sete pontos a diferença para Martín no campeonato. O espanhol da Aprilia parte da pole no domingo, com Márquez ao lado na primeira fila.
Uma diferença de comportamento entre Ducati e Aprilia com o composto duro pode, portanto, ter consequências directas na disputa do título.
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