US Open teve final entre dois jogadores treinados pelos próprios pais
Ben Shelton e Alexander Zverev chegaram à decisão masculina de Nova Iorque com uma particularidade em comum: os dois são treinados pelos próprios pais.
Foto: Getty Images.
Paulo Massunda
Colaborador
A final masculina do US Open 2026, disputada este domingo entre Alexander Zverev e Ben Shelton, teve uma curiosidade pouco habitual no mais alto nível do ténis: de ambos os lados do court, o principal treinador era também o pai do jogador.
No canto de Shelton está Bryan Shelton, antigo tenista profissional que chegou ao 55.º lugar do ranking ATP e conquistou dois títulos de singulares. Depois da carreira como jogador, tornou-se treinador universitário de sucesso nos Estados Unidos antes de assumir a preparação do filho a tempo inteiro quando Ben entrou no circuito profissional. O próprio US Open descreve Bryan como “pai e treinador” do finalista norte-americano.
A ATP também documenta a influência directa de Bryan no desenvolvimento táctico do filho. Shelton já explicou que o pai “o conhece melhor do que qualquer pessoa” e destacou a liberdade que recebe para tomar decisões dentro do court, mesmo quando Bryan lhe apresenta soluções técnicas durante os encontros.
Do outro lado está Alexander Zverev Sr., pai e treinador de Alexander Zverev. A ligação é igualmente antiga. O US Open confirmou que Zverev Sr. continua como treinador do alemão e destacou o papel da família na construção da carreira que levou o filho ao topo do ténis mundial.
Zverev chegou mesmo a explicar em Nova Iorque como os dois conseguem administrar uma relação potencialmente difícil. Segundo o alemão, o pai sabe separar as funções: durante os torneios, procura comportar-se essencialmente como treinador e não como pai. Zverev considera essa separação fundamental para que a parceria funcione.
As semelhanças não terminam aí. Os dois pais também foram jogadores. Bryan Shelton competiu profissionalmente no circuito ATP, enquanto Alexander Zverev Sr. teve carreira competitiva antes de se dedicar à formação dos filhos. Assim, a final do US Open colocou frente a frente não apenas duas gerações de jogadores, mas duas famílias em que o conhecimento do ténis passou directamente de pai para filho.
No caso dos Shelton, existe ainda uma história familiar particularmente forte. Bryan treinou Ben na Universidade da Florida, onde ambos conquistaram juntos o campeonato universitário norte-americano por equipas em 2021. Quando Ben decidiu tornar-se profissional, o pai deixou posteriormente o ténis universitário para acompanhá-lo no circuito.
A caminhada até esta final voltou a mostrar essa proximidade. Antes do US Open, Bryan Shelton chegou a procurar Rafael Nadal para pedir conselhos sobre como Ben poderia lidar melhor com a exigência física e mental de competir imediatamente depois de grandes resultados. Bryan contou a conversa durante o próprio torneio, e o conselho de Nadal acabou integrado no trabalho feito com o filho.
Independentemente do resultado da decisão, o US Open 2026 deixou assim uma imagem pouco comum no ténis de elite: dois filhos na maior arena de ténis do mundo e dois pais nas respectivas boxes, responsáveis por ajudá-los a chegar até à final.
Comentários (0)
Junte-se à conversa
Para partilhar a sua opinião de forma segura, precisa de ter uma conta.
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a participar.
