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Filipe Vidal Avelino
Desporto

Uzbequistão conquista o ouro em casa e confirma-se potência mundial do xadrez

Filipe Vidal Avelino•Colaborador
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Uzbequistão conquista o ouro em casa e confirma-se potência mundial do xadrez

Campeões da 46ª Olimpíada de Xadrez

Foto: MIC AI Academy

Uzbequistão conquista o ouro em casa. O Uzbequistão venceu a 46ª Olimpíada de Xadrez, em Samarkand, com 20 pontos em 11 rondas, à frente da Índia e da Alemanha, e conquistou o segundo título em quatro anos. A equipa foi liderada por Abdusattorov, ouro individual no tabuleiro 1, e por Sindarov, que defronta Gukesh pelo título mundial em Genebra a partir de 22 de Novembro. Entre as federações lusófonas, Portugal ficou em 43º, o Brasil em 44º, Angola em 81º e Moçambique em 93º.

A 46ª Olimpíada de Xadrez, disputada em Samarkand entre 15 e 27 de Setembro, terminou com o Uzbequistão a erguer a Taça Hamilton-Russell pela segunda vez em quatro anos, desta vez diante do seu próprio público. Com 20 pontos em 11 rondas, a selecção uzbeque venceu a Índia, actual bicampeã, e a Alemanha, e confirmou que o triunfo de 2022, em Chennai, não foi um acontecimento isolado.

O título tem peso, apesar de três dos nomes mais mediáticos do circuito mundial não terem estado em Samarkand. Magnus Carlsen, Hikaru Nakamura e Alireza Firouzja falharam a prova, mas isso não retirou qualidade ao lote de participantes. Vinte e um dos trinta e dois jogadores do mundo com rating acima de 2700 estiveram presentes, entre eles Fabiano Caruana, Wesley So, Vincent Keymer, Ding Liren, Wei Yi, o que confirma que o ouro uzbeque foi conquistado diante de uma oposição genuinamente forte.

A equipa foi liderada por dois jovens que já dominam o topo do xadrez mundial. Nodirbek Abdusattorov, de 22 anos, garantiu a medalha de ouro individual no tabuleiro 1, e a sua prestação em Samarkand valeu-lhe uma subida de duas posições no ranking mundial ao vivo, o maior salto entre os jogadores do top 10. Ao seu lado, Javokhir Sindarov, de apenas 20 anos e actualmente 4º do mundo, chega a esta Olimpíada na condição de desafiante ao título mundial. Sindarov venceu a Taça do Mundo de Xadrez de 2025, tornando-se o mais jovem vencedor de sempre dessa prova, e confirmou depois o feito ao vencer o Torneio de Candidatos de 2026, garantindo o direito de defrontar o actual Campeão Mundial, Gukesh Dommaraju, em Genebra, a partir de 22 de Novembro.

Há ainda uma curiosidade que junta as duas grandes potências emergentes do xadrez actual. O capitão da equipa uzbeque, Rustam Kasimdzhanov, foi ele próprio Campeão Mundial da FIDE em 2004, ao vencer o inglês Michael Adams numa final surpreendente, por 4½-3½. Durante anos, Kasimdzhanov trabalhou como segundo de Viswanathan Anand, o antigo campeão mundial indiano que hoje mentora a geração de Gukesh e Praggnanandhaa. O paralelo entre Uzbequistão e Índia não é, por isso, apenas uma semelhança de percurso. É uma linha de sucessão que passa literalmente pelas mesmas mãos.

A profundidade da aposta uzbeque no xadrez fica ainda mais evidente longe dos holofotes. A segunda equipa do país, Uzbequistão B, terminou em 18º lugar entre 208 selecções, à frente de nomes tradicionais como Vietname, Croácia ou Argentina. A este palmarés soma-se ainda Afruza Khamdamova, bicampeã mundial de juvenis (Sub-14 em 2023 e Sub-16 em 2024), a primeira rapariga uzbeque a conquistar esse título, e o próprio Abdusattorov, que já detinha o título de Campeão Mundial de Xadrez Rápido desde 2021, quando se tornou, aos 17 anos, o mais jovem campeão mundial de sempre em qualquer formato do jogo.

Atrás do Uzbequistão, o top 5 reuniu outros nomes de peso. A Índia, vice-campeã, contou com D Gukesh no quarto tabuleiro, uma opção que revela a profundidade de talento da equipa indiana, já que o actual Campeão Mundial nem sequer jogou no tabuleiro principal. A Alemanha, terceira classificada, teve em Vincent Keymer uma das grandes revelações europeias dos últimos anos. Os Estados Unidos, quartos, apostaram em Fabiano Caruana, antigo vice-campeão mundial, como cabeça de série número um de todo o torneio. E o Azerbaijão, quinto colocado, contou com a experiência de Teimour Radjabov, capitão-jogador e antigo número três do mundo.

A prova reservou ainda uma surpresa para quem acompanha o xadrez lusófono. Portugal terminou em 43º lugar, à frente do Brasil, 44º, um resultado pouco comum entre as duas federações. Angola ficou em 81º, depois de disputar apenas nove das onze rondas, e Moçambique fechou em 93º. Nenhuma das federações lusófonas de África esteve perto da zona nobre da tabela, mas a presença angolana e moçambicana, num torneio recorde de 208 equipas na secção aberta, confirma que o xadrez organizado continua a marcar presença nestes dois países, mesmo que o caminho até à elite mundial permaneça longo.

Samarkand ficou, assim, marcada como o palco onde o Uzbequistão deixou de ser promessa para se tornar referência. Resta agora saber se, em Genebra, dentro de dois meses, essa mesma geração vai também conquistar a coroa maior do xadrez mundial.

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Nota de Opinião

O presente texto corresponde a um artigo de opinião e reflecte exclusivamente a visão do seu autor. O Portal Noticiário publica este conteúdo no âmbito da pluralidade de ideias e do debate informado, não assumindo como suas as opiniões aqui expressas.

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