MotoGP da Indonésia gera impacto económico estimado em 290 milhões de dólares e bate recorde de público
O Grande Prémio da Indonésia de 2026 registou 157.875 entradas ao longo de três dias e um impacto económico estimado em 5,2 biliões de rupias, segundo dados divulgados esta quinta-feira.
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O Grande Prémio da Indonésia de MotoGP, disputado entre 9 e 11 de Outubro no circuito de Mandalika, gerou um impacto económico estimado em 5,2 biliões de rupias indonésias, equivalentes a aproximadamente 289,7 milhões de dólares.
Os números foram apresentados nesta quinta-feira, 15 de Outubro, pela InJourney Tourism Development Corporation (ITDC), empresa pública responsável pelo desenvolvimento turístico da região.
Segundo a agência noticiosa indonésia ANTARA, o evento também estabeleceu um novo recorde de assistência desde a entrada de Mandalika no calendário mundial, em 2022.
A organização contabilizou 157.875 entradas durante os três dias de competição, contra 140.324 em 2025.
O crescimento de 12,5% confirma o aumento da procura pelo evento, que se tornou uma das principais atracções internacionais da ilha de Lombok.
Segundo Ahmad Fajar, presidente interino da ITDC, os efeitos económicos começaram a ser sentidos antes das corridas, com a chegada antecipada de turistas nacionais e estrangeiros.
A despesa média estimada por visitante atingiu 8,56 milhões de rupias, aproximadamente 477 dólares, considerando o período de uma semana antes da prova até ao domingo da corrida.
Impacto económico aumentou 4,8%
O impacto económico estimado aumentou de 4,96 biliões de rupias, em 2025, para 5,2 biliões em 2026, uma subida de aproximadamente 4,8%.
O estudo foi elaborado pelo Instituto de Tecnologia de Bandung, através da sua unidade de Engenharia e Gestão Industrial, utilizando modelos económicos que procuram estimar os efeitos directos e indirectos da realização do evento.
A metodologia considera despesas dos visitantes e efeitos multiplicadores sobre sectores como hotelaria, restauração, transportes e comércio.
O valor não representa receita líquida da organização nem lucro obtido com a corrida. Trata-se de uma estimativa do impacto económico mais amplo associado ao Grande Prémio.
A agência nacional de estatísticas da Indonésia deverá apresentar uma avaliação independente nas próximas semanas, permitindo comparar os resultados.
Hotelaria e pequenos negócios beneficiam do evento
O Ministério do Turismo da Indonésia já tinha destacado, numa avaliação divulgada a 12 de Outubro, a importância do MotoGP para a actividade económica regional.
Segundo os dados apresentados, a ocupação hoteleira atingiu 100% na zona de Mandalika e aproximadamente 90% em áreas próximas de Lombok Central e Mataram.
A realização do Grande Prémio também aumentou a procura por transportes, restauração e serviços prestados por pequenas e médias empresas.
O Governo indonésio considera que eventos desportivos internacionais podem desempenhar um papel relevante na diversificação das receitas turísticas e na promoção de destinos fora dos centros tradicionais de maior procura.
Resultados desportivos também deram visibilidade à Indonésia
A edição de 2026 ficou marcada pela vitória de Marco Bezzecchi, da Aprilia, depois de uma disputa com Raúl Fernández.
Jorge Martín terminou na terceira posição e recuperou a liderança do Campeonato do Mundo, com 355 pontos, apenas dois à frente de Marc Márquez.
A Aprilia colocou quatro motos nas primeiras quatro posições, com Ai Ogura a completar um resultado histórico para a fabricante italiana.
A combinação entre a disputa pelo campeonato, os resultados inesperados e a forte assistência contribuiu para a projecção internacional do evento.
Exemplo para outros países interessados no turismo desportivo
O desempenho económico de Mandalika reforça o interesse de governos e investidores em grandes eventos internacionais como instrumentos de promoção turística.
Para países africanos, incluindo Angola, a experiência indonésia demonstra a importância de integrar competições desportivas com serviços de transporte, alojamento, comércio e actividades culturais.
Contudo, o retorno económico depende de factores como custos de organização, infraestruturas disponíveis, capacidade de atrair visitantes e permanência dos benefícios na economia local.
Os resultados divulgados pela ITDC constituem, por isso, uma referência de análise, mas não devem ser interpretados como garantia de rentabilidade para outros mercados.
A confirmação definitiva da dimensão do impacto dependerá da avaliação estatística independente anunciada pelas autoridades indonésias.
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Paulo Massunda