MotoGP impõe multas de cinco mil euros e enfrenta contestação de Márquez, Acosta e outros pilotos
O MotoGP introduziu multas de cinco mil euros para pilotos que não cumpram os tempos mínimos de participação em actividades promocionais. Marc Márquez e Pedro Acosta criticam a medida e alertam para o desgaste físico dos concorrentes.
Foto: Motorsport
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A organização do Campeonato do Mundo de MotoGP decidiu endurecer as exigências de participação dos pilotos em actividades promocionais, introduzindo sanções financeiras que poderão evoluir para penalizações desportivas em caso de incumprimento reiterado.
A medida começou a ser aplicada no Grande Prémio da Indonésia, disputado entre 9 e 11 de Outubro, no circuito de Mandalika.
Segundo uma investigação publicada pelo Motorsport.com, em 11 de Outubro, as equipas receberam uma comunicação electrónica informando que os pilotos passariam a estar sujeitos a multas de cinco mil euros caso não cumprissem determinados períodos mínimos de presença em eventos destinados aos adeptos.
A decisão provocou reacções negativas de vários protagonistas do campeonato, incluindo Marc Márquez, Pedro Acosta, Fabio Quartararo e Álex Márquez.
Pilotos obrigados a permanecer pelo menos dez minutos com os adeptos
A primeira actividade abrangida pelas novas exigências é o MotoGP Hero Walk, uma iniciativa criada em 2023 para aproximar os pilotos dos adeptos.
O evento realiza-se habitualmente aos domingos, depois do desfile dos pilotos, permitindo aos participantes obter autógrafos e fotografias.
Embora a actividade tenha uma duração de aproximadamente 20 minutos, a organização estabeleceu uma permanência mínima obrigatória de dez minutos.
Os pilotos que não cumprirem essa exigência ficam sujeitos a uma multa inicial de cinco mil euros.
Segundo o Motorsport.com, o valor aumentará em caso de reincidência, podendo existir penalizações desportivas se os incumprimentos persistirem.
As possíveis sanções desportivas ainda não foram detalhadas publicamente.
A organização considera que a presença dos pilotos é fundamental para o crescimento comercial do campeonato e para a valorização das experiências oferecidas aos espectadores.
Contudo, a medida surge numa altura em que os concorrentes já manifestavam preocupações com o aumento das exigências físicas e promocionais.
Márquez considera que espectáculo deve acontecer nas pistas
Marc Márquez foi um dos primeiros pilotos a manifestar discordância.
O espanhol reconheceu a importância de promover o campeonato, mas defendeu que existem outras formas de aumentar a popularidade da modalidade sem sobrecarregar os concorrentes.
Em declarações reproduzidas pelo Crash.net, em 11 de Outubro, Márquez salientou que os pilotos enfrentam uma agenda particularmente exigente durante os fins-de-semana de competição.
Além dos treinos, qualificações e corridas, participam em reuniões técnicas, compromissos com patrocinadores, entrevistas e actividades com o público.
O piloto considera que a organização deve reconhecer os limites físicos dos atletas, especialmente depois de sessões particularmente exigentes.
A polémica surge também depois de Márquez ter faltado a uma actividade de karting realizada no Japão, enviando um substituto.
Na ocasião, o espanhol justificou a decisão com a necessidade de preservar a condição física e evitar riscos desnecessários numa fase decisiva do campeonato.
Segundo o Motorsport.com, a nova política já estava a ser estudada antes desse episódio.
Acosta alerta para desgaste físico e possível saída de grandes pilotos
Pedro Acosta apresentou críticas ainda mais contundentes.
O piloto da KTM considera que as novas exigências não têm suficientemente em conta as condições físicas dos concorrentes.
Acosta recordou que alguns pilotos podem terminar uma corrida com dores ou lesões que exigem recuperação imediata.
O espanhol defendeu que deve existir um equilíbrio entre os compromissos promocionais e a necessidade de preservar a saúde dos atletas.
Numa entrevista publicada pelo Crash.net nesta segunda-feira, 12 de Outubro, Acosta alertou que o aumento constante das exigências poderá reduzir a duração das carreiras e afastar antigos campeões do ambiente do MotoGP.
O piloto também lamentou a inexistência de uma estrutura colectiva suficientemente forte para representar os interesses dos concorrentes perante os organizadores.
Segundo Acosta, as diferenças de interesses entre pilotos, equipas e fabricantes dificultam a criação de uma associação independente.
Quartararo evita confronto e Álex Márquez pede maior compreensão
Fabio Quartararo adoptou uma posição mais cautelosa.
Questionado pelo Motorsport.com, o francês evitou manifestar uma opinião definitiva, admitindo que não pretendia envolver-se em problemas com a organização.
Já Álex Márquez criticou directamente o aumento das exigências.
O piloto da Gresini explicou que os concorrentes terminam frequentemente as corridas fisicamente esgotados, depois de períodos prolongados de esforço intenso.
Álex Márquez considera que os organizadores devem demonstrar maior sensibilidade relativamente à recuperação física dos pilotos.
Enea Bastianini também comentou a possibilidade de criação de uma associação de pilotos semelhante à existente na Fórmula 1.
As diferentes posições foram reunidas numa reportagem publicada pelo Motorsport.com em 12 de Outubro.
Novas regras para 2027 aumentam preocupação
A controvérsia ganha importância perante as alterações previstas para o formato dos fins-de-semana de MotoGP em 2027.
O campeonato anunciou a introdução de uma qualificação específica para as corridas Sprint, aumentando o número de sessões competitivas.
A alteração pretende reforçar o espectáculo, mas também poderá aumentar a pressão sobre os pilotos.
Para os concorrentes, a combinação de mais sessões decisivas, compromissos comerciais e exigências promocionais levanta questões sobre a sustentabilidade física do calendário.
Até à última verificação, não foi divulgada uma lista oficial dos pilotos efectivamente multados na Indonésia.
Também não foi identificada uma comunicação pública da organização que esclareça eventuais excepções médicas ou o procedimento de recurso das sanções.
A controvérsia deverá continuar nas próximas etapas, especialmente se forem aplicadas penalizações desportivas.
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Paulo Massunda