Luanda, Angola
Arte e Cultura

António Ole apresenta no ELA debate ‘Sobre o Consumo da Pílula’

A apresentação constitui igualmente uma homenagem ao percurso singular do artista.

António Ole apresenta no ELA debate ‘Sobre o Consumo da Pílula’

Foto: Cedida

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Nilwa António

Jornalista & Editor Chefe

15 mar 2026
5 min de leitura
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O artista plástico angolano António Ole junta-se ao ELA – Espaço Luanda Arte para apresentar, pela primeira vez em Angola, um projecto artístico criado em 2022 e desenvolvido em colaboração com a galeria InSoFar, de Lisboa, Portugal.

A exposição, inaugurada na sexta-feira, 13, traz a Luanda parte de uma série de serigrafias manuais inspiradas numa das obras mais emblemáticas do artista, ‘Sobre o Consumo da Pílula’, criada no início da década de 1970.

Numa referência directa aos 28 dias do ciclo habitual da toma da pílula contraceptiva e aos três dias de pausa, a edição é composta por 28 serigrafias e três provas de autor, onde cada exemplar inclui, no verso, um ensaio da curadora Paula Nascimento, que contextualiza histórica e criticamente a relevância da obra.

‘Sobre o Consumo da Pílula’ marcou o início da trajectória artística de Ole, concebida quando tinha apenas 19 anos e ainda frequentava o liceu. Influenciado pela Pop Art, pelos movimentos psicadélicos dos anos 1960 e pela linguagem das bandas desenhadas, o jovem pintor já revelara uma abordagem crítica às questões sociopolíticas do seu tempo.

A obra gerou polémica ao representar o Papa Paulo VI a tomar a pílula contraceptiva, um gesto simbólico que confrontava directamente os discursos dominantes sobre moralidade, religião e autonomia feminina. Apesar de ter sido premiada no IV Salão de Arte Moderna, em 1970, a obra acabou por ser proibida na época, sendo exposta apenas anos mais tarde.

Passados 52 anos, esta reedição revisita um momento fundador da arte contemporânea angolana, propondo uma reflexão actual sobre os direitos reprodutivos, a autonomia e a liberdade das mulheres, temas ainda presentes no centro do debate contemporâneo.

O trabalho convida a reflectir “sobre a história dos direitos reprodutivos, a autonomia e a liberdade das mulheres e sobre como essa jornada está longe de terminar”, sublinha Paula Nascimento, num ensaio que acompanha a edição. A sua chegada ao Páis reafirma o compromisso do ELA com a valorização do património artístico nacional e com a promoção de debates críticos que atravessam diferentes gerações, lê-se na nota a que o Noticiário teve acesso.

No entanto, a exposição, que fica patente até 5 de Abril, constitui igualmente uma homenagem ao percurso singular de António Ole, considerado uma figura central da arte contemporânea angolana e protagonista de um movimento de ruptura estética e política no final da década de 1960 e início da década de 1970.

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Categoria:Arte e Cultura

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