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Bélgica retira apoio a Infantino, mas presidente da FIFA recupera força para 2027

A Federação Belga anunciou que não apoiará a reeleição de Gianni Infantino em 2027, mas o actual presidente da FIFA continua a reunir votos suficientes para partir como favorito à permanência no cargo.

Bélgica retira apoio a Infantino, mas presidente da FIFA recupera força para 2027

Foto: DR

Pa

Paulo Massunda

Colaborador

10 set 2026
5 min de leitura
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A posição da Royal Belgian Football Association (RBFA) foi tornada pública a 7 de Setembro e é inequívoca: a federação declarou que “não pode apoiar” a candidatura de Infantino a um novo mandato na presidência da FIFA. A decisão foi justificada por dúvidas sobre transparência e governação em dois processos que, segundo a entidade belga, continuam sem respostas satisfatórias.

O primeiro é o caso FIFA Forward Enterprise, projecto que previa a entrada de investidores privados numa estrutura ligada aos activos comerciais da FIFA. A proposta acabou por ser abandonada depois de forte oposição institucional, mas a federação belga sustenta que várias decisões e avaliações feitas durante o processo continuam insuficientemente explicadas.

O segundo ponto é ainda mais sensível para a Bélgica e envolve Folarin Balogun. O avançado dos Estados Unidos tinha recebido um cartão vermelho que, em princípio, deveria afastá-lo do jogo dos oitavos-de-final do Mundial frente à selecção belga. A suspensão acabou por ser anulada após recurso, num processo que ganhou dimensão política depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter apelado publicamente a Infantino para que o caso fosse revisto.

A RBFA afirma ter pedido à FIFA uma fundamentação clara para a decisão e explicações sobre como casos semelhantes serão tratados no futuro. Segundo a federação, essas respostas ainda não chegaram de forma satisfatória.

A Bélgica quer agora que o tema seja levado ao Conselho da FIFA de 15 de Outubro, mantendo contacto próximo com a UEFA na procura de maior transparência no processo de decisão da organização.

Bélgica junta-se à frente europeia

A tomada de posição belga reforça uma oposição europeia que tem vindo a crescer. Esta quinta-feira, a Federação Francesa de Futebol também retirou oficialmente o apoio a Infantino, alegando perda de confiança e divergências sobre a forma como a FIFA tem sido governada.

UEFA, CONCACAF e sectores da Confederação Asiática têm igualmente contestado a liderança do suíço, sobretudo desde a crise em torno da tentativa de abrir parte dos activos comerciais da FIFA a investidores privados.

Apesar disso, afastar Infantino nas urnas está a revelar-se muito mais difícil do que aumentar a pressão política sobre a sua presidência.

Infantino continua com vantagem eleitoral

Segundo a Reuters, fontes ligadas às negociações internas consideram que Infantino continua a dispor de apoio suficiente entre as 211 federações filiadas na FIFA para vencer a eleição marcada para 18 de Março de 2027, em Rabat.

O presidente mantém uma base particularmente sólida entre federações de África, América do Sul e Oceânia, além de apoio em sectores da Ásia e entre várias associações de menor dimensão. Ao mesmo tempo, ainda não surgiu um adversário com capacidade evidente para reunir uma maioria alternativa.

Nomes anteriormente apontados como possíveis rivais, como Nasser Al-Khelaifi e o presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, não avançaram até agora com uma candidatura. O prazo para apresentação de candidatos termina a 18 de Novembro de 2026.

Perante essa realidade, os adversários de Infantino começam a discutir uma estratégia diferente: em vez de apostarem exclusivamente na sua derrota eleitoral, procuram reduzir a concentração de poder na presidência e reforçar os mecanismos internos de controlo e transparência da FIFA.

Contestação cresce, mas votos permanecem

A situação cria um paradoxo político dentro do futebol mundial. Infantino enfrenta uma das maiores ondas de contestação desde que assumiu a FIFA, em 2016, com importantes federações europeias a retirarem-lhe apoio e grandes confederações a questionarem a sua governação.

Mas, no sistema eleitoral da FIFA, cada federação nacional dispõe de um voto. Isso significa que a força eleitoral do presidente não depende apenas das maiores potências do futebol europeu.

É precisamente aí que Infantino continua forte.

A declaração belga acrescenta pressão política e aumenta o número de vozes que exigem explicações à FIFA. Contudo, a menos de seis meses da eleição, a contestação institucional ainda não se traduziu numa maioria capaz de afastar o actual presidente.

Por isso, o cenário para 2027 apresenta hoje duas realidades em simultâneo: Infantino perde apoio entre algumas das federações mais influentes da Europa, mas conserva uma base eleitoral global que continua a colocá-lo na posição de favorito à reeleição.

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