Brent fecha em 81,40 dólares após agravamento de conflito no Médio Oriente
Escalada militar interrompeu envios de energia no Médio Oriente e aumentou receios de um conflito prolongado.

Foto: DR
Paulo Massunda
Jornalista e CEO
Os preços do petróleo estabilizaram em alta de 4,7% nesta terça-feira, atingindo o nível mais elevado desde Janeiro de 2025, à medida que se intensificam as batalhas entre Estados Unidos e Israel contra o Irão.
Os futuros do Brent encerraram a sessão com um ganho de 3,66 dólares, ou 4,7%, fixando-se em 81,40 dólares por barril, o fecho mais alto desde Janeiro de 2025. Durante o dia, o Brent atingiu a máxima de 85,12 dólares, o valor mais elevado desde Julho de 2024. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 3,33 dólares, ou 4,7%, para 74,56 dólares por barril, o acordo mais alto desde Junho de 2025.
Desde o início do conflito, no sábado, o Brent acumulou uma valorização de 12%. Na terça-feira, forças israelitas e norte-americanas bombardearam alvos em todo o Irão, desencadeando ataques retaliatórios iranianos na região do Golfo e a expansão do conflito ao Líbano.
O Iraque, segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), atrás da Arábia Saudita, reduziu a produção em quase 1,5 milhão de barris por dia (bpd). Segundo fontes do sector, os cortes poderão mais do que duplicar nos próximos dias, à medida que o país fica sem capacidade de armazenamento para o petróleo bruto que não consegue exportar devido à crise.
O Irão respondeu com ataques contra infra-estruturas energéticas regionais e petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente.
Petroleiros e navios porta-contentores passaram a evitar o estreito depois de seguradoras cancelarem a cobertura das embarcações. As tarifas globais de transporte de petróleo e gás dispararam. As preocupações aumentaram após meios de comunicação iranianos noticiarem, na segunda-feira, que Teerão irá disparar contra qualquer navio que tente atravessar o estreito.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os ataques aéreos dos EUA e de Israel estavam planeados para durar entre quatro e cinco semanas, mas admitiu que poderão prolongar-se. Trump disse ainda que Washington está a considerar apoiar o seguro de petroleiros.
Apesar de o Brent ter atingido a máxima da sessão, reduziu ganhos depois de Trump declarar que a campanha militar eliminou muitos alvos navais e aéreos iranianos. “Quase tudo foi destruído”, afirmou, prevendo que Teerão acabará por perder a capacidade de lançar mísseis.
Segundo Phil Flynn, , analista sénior do Price Futures Group, “Trump disse que o Irão não vai continuar essa luta por mais tempo”, então o mercado acredita que pode haver uma resolução mais rápida do que se temia anteriormente.
No mercado internacional, Índia e Indonésia anunciaram que estão a procurar fornecedores alternativos de energia. Na China, algumas refinarias iniciaram encerramentos ou anteciparam planos de manutenção.
Desde o início dos ataques, o Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito, Israel interrompeu a produção em alguns campos de gás e a Arábia Saudita fechou a sua maior refinaria.
A gigante petrolífera saudita Aramco está a tentar redireccionar parte das exportações de crude para o Mar Vermelho, contornando o Estreito de Ormuz, onde o risco de ataques quase paralisou o transporte marítimo, segundo a Reuters.
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