Luanda, Angola
Internacional

Coito entre pessoas do mesmo sexo dará pena máxima de dez anos de prisão

Quem financia tais actos também enfrenta pena de prisão.

Coito entre pessoas do mesmo sexo dará pena máxima de dez anos de prisão

A presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, discursa na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York, EUA, em 24 de setembro de 2025. REUTERS/Eduardo Muñoz/Foto de arquivo

Foto: DR

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Paulo Massunda

Jornalista e CEO

1 abr 2026
5 min de leitura
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O presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, aprovou um projecto de lei que dobra a pena máxima de prisão para relações sexuais entre pessoas do mesmo género, para dez anos, e criminaliza qualquer esforço para promover a homossexualidade, permitindo que a lei entre em vigor.

Segundo um comunicado oficial citado pela Reuters, os parlamentares votaram esmagadoramente a favor do projecto de lei no início de Março, mas o presidente Bassirou Diomaye Faye vinha sendo pressionado desde então por grupos internacionais de direitos humanos para não assiná-lo.

A iniciativa legal “vai contra os direitos humanos sagrados que todos desfrutamos: os direitos ao respeito, dignidade, privacidade, igualdade e liberdades de expressão, associação e reunião pacífica”, disse o o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, a 12 de Março.

Faye e o primeiro-ministro Ousmane Sonko prometeram aprovar uma lei anti-LGBT mais dura durante a campanha em 2024, porém só fizeram na sexta-feira última, segundo um comunicado do governo datado de segunda-feira e distribuido por um porta-voz, na terça-feira.

O código penal do Senegal já incluía um artigo que impõe até cinco anos de prisão e multas de até 1.500.000 francos CFA ($2.700) por ‘actos contra a natureza’. A nova versão, no entanto, dobra o prazo máximo e permite multas de até 10 milhões de francos CFA, e especifica que actos contra a natureza relacionam-se à homossexualidade, bissexualidade, ‘transexualidade’, zoofilia e necrofilia.

Aqueles considerados culpados de promover ou financiar tais actos também enfrentam pena de prisão.

No final de Março, a Reuters informou que os defensores senegaleses do projecto discutiram estratégias de campanha e tácticas de mobilização com um grupo ‘pró-família’, sediado nos EUA, que chama a homossexualidade de uma ameaça à saúde pública.

O período que antecedeu a votação dos legisladores sobre o projecto de lei foi marcado por um aumento nas prisões de homens sob suspeita de ‘actos contra a natureza’ e, em alguns casos, ‘transmissão voluntária’ do HIV – um crime que pode levar até dez anos de prisão.

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