Grandes tecnológicas norte-americanas tornam-se alvo em “momento decisivo” da guerra com o Irão
Trump criticou países que não apoiaram o esforço de guerra dos EUA.
Foto: DR
Paulo Massunda
Jornalista e CEO
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou, nesta terça-feira, que os próximos dias da guerra contra o Irão serão decisivos, alertando Teerão para uma possível intensificação do conflito caso não avance para um acordo.
A Guarda Revolucionária do Irão respondeu com uma nova ameaça contra empresas norte-americanas na região, a partir desta quarta-feira, listando 18 companhias, entre as quais Microsoft, Google, Apple, Intel, IBM, Tesla e Boeing.
Citado pela Reuteurs, o governante disse que o presidente Donald Trump está disposto a negociar um acordo para pôr fim à guerra, estando as negociações em curso e a ganhar força, mas os EUA mantêm-se preparados para prosseguir com a ofensiva caso o Irão não cumpra.
“Temos cada vez mais opções, e eles têm menos… em apenas um mês definimos os termos. Os próximos dias serão decisivos”, afirmou Hegseth, em Washington, quando acrescentou ainda que
O Irão sabe disso, e quase não há nada que possa fazer militarmente a esse respeito.
Em resposta às ameaças contra interesses corporativos norte-americanos, um funcionário da Casa Branca garantiu que o exército dos EUA está “preparado para conter quaisquer ataques”.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, disse, também citado pela Reuters, que tem recebido mensagens directas do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, mas sublinhou que estas não configuram negociações formais. Nas suas palavras, “as comunicações incluem ameaças e trocas de posições por intermédio de países amigos”.
O conflito, que já dura há um mês, alastrou-se pela região, provocando milhares de mortos, interrompendo o fornecimento de energia e aumentando os riscos de uma desaceleração da economia global.
A Reuters refere ainda que Donald Trump ameaçou, na segunda-feira, destruir as infra-estruturas energéticas do Irão caso o país não aceite um acordo de paz e reabra o Estreito de Ormuz, uma via marítima vital para o transporte global de petróleo, actualmente afectada por bloqueios.
Também nesta terça-feira, o presidente norte-americano criticou países que não apoiaram o esforço de guerra dos EUA, como o Reino Unido. Numa publicação nas redes sociais, o estadista norte-americano defendeu que, face à escassez global de combustível, esses países deveriam comprar energia aos EUA ou demonstrar “coragem” e intervir directamente no estreito.
França e Itália reagiram criticamente a algumas operações militares conduzidas pelos EUA e por Israel, segundo fontes, evidenciando divisões entre aliados da NATO.
Entretanto, o Papa Leão apelou a Donald Trump para procurar uma “saída” para o conflito, num raro apelo directo ao presidente norte-americano.
“Espero que ele esteja a procurar uma forma de reduzir a violência”, afirmou o pontífice aos jornalistas, à saída da sua residência, perto de Roma.
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