Luanda, Angola
Tecnologia

Europa ganha novo chip de IA e Axelera fecha contratos para entrar nas “fábricas” de inteligência artificial

A europeia Axelera AI lançou a segunda geração dos seus aceleradores e confirmou contratos para instalar a tecnologia em centros de computação dedicados à inteligência artificial.

Europa ganha novo chip de IA e Axelera fecha contratos para entrar nas “fábricas” de inteligência artificial

Foto: DR

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Redacção

16 set 2026
5 min de leitura
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A Europa ganhou esta terça-feira, 15 de Setembro, um novo participante na corrida mundial pelos processadores de inteligência artificial. A Axelera AI, empresa de semicondutores fundada em Eindhoven, nos Países Baixos, lançou comercialmente o Europa, a segunda geração do seu processador dedicado à execução de modelos de IA, ao mesmo tempo que revelou ter fechado vários contratos para fornecer chips a “AI factories” europeias.

A novidade merece atenção para além do lançamento de mais um semicondutor. O Europa começará também a aparecer em sistemas de Dell Technologies e Supermicro, levando uma tecnologia desenvolvida na Europa para equipamentos empresariais utilizados na implementação de inteligência artificial.

Até 629 TOPS com consumo de 45 watts

O novo Europa é um AIPU — AI Processing Unit, um processador concebido especificamente para executar operações de inteligência artificial.

Segundo as especificações publicadas pela fabricante, cada unidade pode atingir 629 TOPS de capacidade de processamento com consumo de 45 watts. TOPS mede biliões de operações por segundo e é uma das métricas utilizadas para quantificar a capacidade de aceleradores de IA.

A arquitectura destina-se sobretudo à inferência, fase em que um modelo de inteligência artificial já treinado é colocado efectivamente a trabalhar — por exemplo, para interpretar imagens, responder a pedidos ou analisar informação.

É precisamente neste segmento que a Axelera procura competir num mercado actualmente dominado por grandes fabricantes norte-americanos.

Dell e Supermicro abrem porta ao mercado empresarial

Um dos passos mais relevantes do anúncio é a integração do Europa em servidores e sistemas empresariais.

A Axelera confirmou que a tecnologia estará disponível em configurações validadas de Dell e Supermicro. A empresa está, assim, a tentar ultrapassar uma das maiores barreiras enfrentadas pelas startups de semicondutores: transformar um processador experimental num produto que possa ser comprado e instalado dentro da infraestrutura tecnológica das empresas.

O Europa amplia igualmente a utilização inicialmente prevista para a arquitectura. A primeira geração da Axelera, denominada Metis, concentrou-se sobretudo em aplicações de IA na periferia da rede — câmaras inteligentes, sistemas industriais e equipamentos que processam informação localmente.

A segunda geração estende a estratégia aos servidores empresariais e centros de computação.

Mais de 600 clientes e contratos de dezenas de milhões

A dimensão comercial começa também a ganhar peso.

O fundador e CEO Fabrizio Del Maffeo disse à Reuters que mais de 600 clientes já utilizam chips da empresa.

Os contratos actualmente assinados para as novas implementações valem dezenas de milhões, enquanto a carteira de oportunidades comerciais em negociação poderá atingir 1,5 mil milhões. Este último valor representa potenciais vendas e não receitas já contratadas, distinção importante para avaliar a dimensão real do negócio.

Fundada em 2021, a Axelera já levantou mais de 450 milhões junto de investidores para financiar o desenvolvimento dos seus semicondutores.

Chip europeu vai entrar nas fábricas de IA da União Europeia

A tecnologia terá ainda um papel na estratégia europeia para criar capacidade própria de inteligência artificial.

A Axelera está envolvida no projecto IT4LIA AI Factory, em Itália, e no ecossistema MeluXina, no Luxemburgo. O responsável pela arquitectura de IA e computação de alto desempenho da IT4LIA confirmou que a infraestrutura está preparada para receber e validar aceleradores Europa em cargas reais de computação de alto desempenho.

As chamadas “AI factories” são centros de dados ou instalações de supercomputação especialmente preparados para desenvolver e executar sistemas de inteligência artificial.

A iniciativa integra um esforço europeu mais amplo para transformar parte da sua rede de supercomputadores numa infraestrutura capaz de suportar empresas, investigadores e modelos de IA desenvolvidos no continente.

Uma tentativa europeia de reduzir dependência externa

A chegada do Europa ocorre num momento em que a enorme procura por capacidade computacional para IA tornou os semicondutores uma infraestrutura estratégica.

O mercado continua fortemente concentrado em fornecedores norte-americanos, particularmente no segmento dos aceleradores utilizados em centros de dados. Para a Axelera, isso abre uma oportunidade: oferecer processadores europeus especializados em inferência, procurando combinar capacidade computacional elevada com menor consumo energético.

A empresa já prepara a etapa seguinte. A futura arquitectura Titania deverá ampliar a aposta para centros de dados e supercomputadores.

O verdadeiro teste começa agora. A entrada em sistemas Dell e Supermicro e os primeiros contratos com fábricas europeias de IA permitirão perceber se uma startup de semicondutores criada há apenas cinco anos consegue transformar tecnologia desenvolvida na Europa numa alternativa comercial num mercado global dominado por gigantes.

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Categoria:Tecnologia

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