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Tecnologia

Trabalhadores britânicos já gastam quase mil milhões de libras do próprio bolso em inteligência artificial

Um em cada seis utilizadores de IA generativa no trabalho paga pessoalmente por pelo menos uma ferramenta, enquanto quase um terço utiliza estes sistemas sem conhecimento da entidade empregadora.

Trabalhadores britânicos já gastam quase mil milhões de libras do próprio bolso em inteligência artificial

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Redacção

16 set 2026
5 min de leitura
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A adopção da inteligência artificial generativa no mercado de trabalho britânico está a avançar mais depressa do que muitas empresas conseguem acompanhar. Trabalhadores do Reino Unido gastam actualmente cerca de 958 milhões de libras por ano do próprio bolso em ferramentas de IA que utilizam profissionalmente, revela um novo estudo publicado esta quarta-feira, 16 de Setembro, pela Deloitte UK.

O primeiro GenAI Workforce Survey da consultora ouviu 25 mil trabalhadores, empregados e independentes, com idades entre 18 e 70 anos. O trabalho de campo foi realizado pela Ipsos UK entre 7 de Maio e 10 de Junho de 2026 e a amostra foi ponderada para representar a população activa britânica.

Os resultados mostram que 63% dos trabalhadores afirmam utilizar conscientemente inteligência artificial generativa no trabalho. Entre estes utilizadores, 17% pagam pessoalmente por pelo menos uma ferramenta profissional de IA.

Trabalhadores estão a adoptar IA antes das próprias empresas

A dimensão mais relevante do levantamento não é apenas financeira.

Quase metade dos utilizadores — 46% — recorre a ferramentas gratuitas, enquanto 34% utiliza serviços externos pagos pela entidade empregadora e 17% trabalha com sistemas desenvolvidos internamente pelas organizações.

Ao mesmo tempo, 31% dos utilizadores de IA generativa admitem utilizar estas ferramentas sem conhecimento da entidade empregadora.

O fenómeno é conhecido no sector tecnológico como “shadow AI”: funcionários introduzem serviços externos de inteligência artificial no fluxo de trabalho sem que esses sistemas tenham sido formalmente aprovados pela organização.

O crescimento deste comportamento cria questões de segurança particularmente relevantes quando documentos internos, informação financeira, propriedade intelectual ou dados de clientes são colocados em plataformas externas.

Quase um quarto já usa IA todos os dias

A IA deixou igualmente de ser uma experiência ocasional para uma parcela significativa da força de trabalho.

Segundo a investigação, 24% dos trabalhadores britânicos utilizam ferramentas de IA generativa diariamente no exercício profissional.

Os usos, contudo, permanecem relativamente básicos.

Entre os utilizadores, 43% recorrem à tecnologia para pesquisar informação, outros 43% para escrever mensagens de correio electrónico e 31% para produzir resumos.

Ferramentas como ChatGPT, Claude, Google Gemini e Microsoft Copilot estão entre os sistemas abrangidos pelo fenómeno analisado. A Reuters confirmou os principais resultados da pesquisa nesta quarta-feira.

IA poupa 70 minutos por semana

Os trabalhadores que utilizam estas ferramentas estimam poupar, em média, 70 minutos de trabalho por semana.

A Deloitte concluiu ainda que a maior parte desse tempo não é convertida em lazer: é utilizada para realizar mais trabalho para o mesmo empregador.

Isto fornece uma indicação relevante sobre o impacto inicial da IA na produtividade, embora seja importante manter uma ressalva: o número representa a percepção declarada pelos próprios trabalhadores, e não uma medição independente da produtividade realizada pelas empresas.

Metade utiliza IA sem formação formal

O rápido crescimento apresenta outra fragilidade.

Cerca de metade dos trabalhadores que utilizam IA generativa afirma não ter recebido formação formal para utilizar a tecnologia de forma segura e eficaz.

Além disso, 65% consideram que falta uma liderança convincente dentro das respectivas organizações sobre a forma como a IA deve ser utilizada.

Há também receio entre os próprios trabalhadores.

Quase um quarto — 23% — considera existir um estigma associado ao uso de IA no trabalho. Entre os utilizadores semanais, 64% receiam que os gestores possam concluir que a inteligência artificial é capaz de fazer o seu trabalho.

O problema para as empresas mudou

Para Hayley McKelvey, responsável de inteligência artificial da Deloitte UK, o desafio empresarial deixou de ser simplesmente convencer os funcionários a experimentar a tecnologia.

A questão passou a ser como responder a uma utilização que já acontece espontaneamente e, em muitos casos, fora dos sistemas tecnológicos controlados pelas próprias organizações.

O estudo fornece, assim, uma fotografia importante de uma nova etapa da adopção da inteligência artificial: os trabalhadores não estão apenas à espera que as empresas lhes forneçam IA — estão a comprá-la, introduzi-la nos seus empregos e incorporá-la nas tarefas quotidianas por iniciativa própria.

Embora a pesquisa seja limitada ao Reino Unido e não permita automaticamente extrapolar os resultados para outros países, a dimensão da amostra transforma-a num indicador relevante para empresas e governos que procuram compreender a velocidade com que a IA generativa está a entrar no mercado de trabalho.

A Deloitte pretende repetir o levantamento aproximadamente a cada seis meses, o que permitirá perceber se o uso informal diminui à medida que as organizações passam a disponibilizar ferramentas próprias e regras mais claras.

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