‘Luzes de Angola’ brilham pela segunda vez no Espaço Luanda Arte
A amostra conta com obras de nomes como António Ole, Van, Nelo Teixeira, Ricardo Kapuka, Imaculada Tchitanga e Danick Bumba, aproximando gerações.
Foto: DR
Nilwa António
Jornalista, fotógrafo e editor-chefe
Na última sexta-fera, dia 21, abriu, no ELA – Espaço Luanda Arte, a segunda edição da exposição colectiva ‘Luzes de Angola’, projecto que se reincide após o sucesso da primeira investida, decorrida em 2025.
A amostra reúne nomes incontornáveis e emergentes da arte contemporânea angolana, aproximando gerações.
Trata-se de nomes como Neves e Sousa, Raul Indipwo, António Ole, Van, Kapela Paulo, Guizef, Francisco Vidal dos Santos, Pamina Sebastião, Nelo Teixeira, Ricardo Kapuka, Rui Magalhães, Uólofe, Sarhai, Imaculada Tchitanga e Danick Bumba, entre muitos outros.
Os artistas formam uma galáxia de vozes visuais, expressões críticas e afirmações identitárias, segundo declarações do director do ELA, Dominick Tanner. Esta constelação, reforça o responsável, não é apenas um agrupamento de artistas: “é o reflexo vivo de mais de meio século de independência, de resistência cultural e de permanente reinvenção criativa”.
Patente até 19 de Outubro próximo, ‘Luzes de Angola’ simboliza “um céu de estrelas plásticas que brilham de forma singular, mas que, unidas, formam um todo coerente e poderoso”, declarou o também produtor cultural, que refere ser imprescindível que os angolanos acreditem nesta força criativa, que valorizem os seus artistas e que invistam na sua própria identidade cultural, pois, “cada tela, cada instalação, cada gesto criativo é uma semente de futuro e um acto de soberania simbólica”.
Citado na nota a que o Noticiário teve acesso, Dominick Tanner argumentou que, desde 1975, os artistas angolanos têm enfrentado desafios profundos, dentre eles, contextos políticos instáveis, escassez de infra-estruturas culturais, dificuldades no acesso a materiais e mercados e falta de políticas culturais sustentáveis. Apesar disso, a resiliência transformou-se em marca, e a arte angolana floresceu com uma força própria, sublinhou.
Entretanto, se, por um lado, a geração pioneira abriu caminhos e construiu narrativas visuais que acompanharam a reconstrução nacional, por outro, os mais jovens trouxeram novas linguagens, experimentações , conceitos e diálogos com a contemporaneidade global.
Portanto, “a arte angolana contemporânea é hoje um testemunho de resistência e de afirmação identitária”, atesta o ainda coleccionador, relevando ser urgente que Angola conquiste o lugar que merece no universo da arte africana e internacional.
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