Rosa Quissama: Cicatrizes Fortes após ‘sutura’ das feridas
A artista procura traduzir as dores das mulheres vítimas de violência física e psicológica.
Foto: Nilwa António
Nilwa António
Jornalista, fotógrafo e editor-chefe
Ainda na sequência da exposição colectiva ‘Sutura - Onde o tempo se faz obra’, trabalho desenvolvido por jovens angolanos, estudantes do terceiro ano da Faculdade de Artes da Universidade de Luanda, conhecemos uma amostra do que Rosa Quissama tem vindo a preparar ao longo da sua jornada.
A jovem artista participa no projecto com a obra ‘Cicatrizes Fortes II’, resultado de uma pesquisa desenvolvida em torno das experiências de mulheres vítimas de violência física e psicológica.
Na sua obra, que é parte de uma colecção que vai maturando com o tempo, Rosa Quissama apresenta a história fictícia de uma mulher que passou por situações de violência, procurando traduzir visualmente as marcas e dores deixadas por essas experiências.
Em entrevista ao Noticiário, a artista reforçou que o que vemos na tela nasceu de uma pesquisa que tem realizado junto de vítimas de violência, a partir da qual identificou a necessidade de dar visibilidade e voz a mulheres que, muitas vezes, optam pelo silêncio e não denunciam as situações que enfrentam.
“Eu tento, com essa obra, traduzir visualmente todas essas dores e marcas que acabam por deixar em cada uma dessas vítimas”, explicou a interlocutora.
Com técnica mista, a pintora não procura romantizar o processo de superação. Pelo contrário, pretende mostrar a possibilidade de reconstrução após experiências de violência. A obra tenta, assim, expor a dimensão da dor sem retirar às vítimas a possibilidade de se reerguerem.
‘Cicatrizes Fortes II’ integra um trabalho de investigação mais amplo, ainda na intenção de se consolidar uma colecção. A primeira obra da série já existe, embora não faça parte da actual exposição.
Neste quesito, a artista trabalha para desenvolver um conjunto de três ou quatro obras.
Aspiração que acompanha o percurso artístico
Em jeito de nota, a participação da estudante da na exposição não surgiu apenas com a entrada para a Faculdade de Artes. Rosa Quissama conta que o desejo de expor os seus trabalhos nasceu antes da formação superior. A artista frequentou o CEARTE, onde concluiu o ensino médio em Artes, e afirma que sempre teve o objectivo de apresentar o seu trabalho numa exposição.
“Eu sempre almejei, neste caso, participar numa exposição”, expressou a formanda, cuja intervenção no projecto, representa, assim, a concretização de uma aspiração que acompanha o percurso artístico.
Recorde-se que a exposição colectiva ‘Sutura - Onde o tempo se faz obra’ foi inaugurada, no Palácio de Ferro, no passado dia 23 de Julho, onde ficará patente até o próximo dia 22 deste mês (Agosto).
Comentários (1)
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É uma obra muito inspiradora, ilustrativa e revolucionária, vejo a dor e sofrimento das mulheres escondidas no silêncio. Essa magnífica obra desafia as mulheres a não se calar mediante as situações desrespeitosas, que coloquem a dignidade e honra das mulheres em causa. Tá de parabéns Rosa Quissama! "António Moutinho Félix "
