Pobreza multidimensional atinge 18,7 milhões de pessoas em Angola
Quase metade da população angolana vive em pobreza multidimensional, apesar de a incidência ter diminuído significativamente desde 2016.
Foto: DR
O Índice Global de Pobreza Multidimensional 2026, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e pela Universidade de Oxford em 12 de Outubro, estima que 18,674 milhões de pessoas, equivalentes a 49,3% da população, enfrentavam pobreza multidimensional em Angola.
O indicador não mede apenas rendimento. Considera dez privações distribuídas pela saúde, educação e condições de vida, incluindo nutrição, mortalidade infantil, frequência escolar, anos de escolaridade, acesso à electricidade, água potável e saneamento, qualidade da habitação, combustível utilizado para cozinhar e posse de bens essenciais.
Uma pessoa é classificada como multidimensionalmente pobre quando o agregado familiar sofre privações ponderadas equivalentes a pelo menos um terço dos indicadores analisados. Por essa razão, o resultado não deve ser confundido com a taxa de pobreza monetária ou com o número de cidadãos que vivem abaixo de determinada linha de rendimento.
Entre os angolanos abrangidos, a intensidade média das privações é de 54,2%. O relatório calcula ainda que 29,6% da população vive em pobreza multidimensional severa e 14,8% está vulnerável a entrar nessa condição. As carências associadas ao padrão de vida representam 46,2% do índice, acima da saúde, com 29,9%, e da educação, com 23,9%.
A comparação temporal harmonizada aponta uma melhoria: a incidência recuou de 51,8% em 2015/2016 para 45,5% em 2023/2024, enquanto o índice caiu de 0,289 para 0,244. Contudo, o número de pessoas afectadas subiu de 15,126 milhões para 17,236 milhões nessa comparação, porque o crescimento populacional foi superior à redução da taxa de pobreza.
Os 45,5% da série temporal e os 49,3% da estimativa principal não são directamente contraditórios. A primeira taxa resulta de dados harmonizados para permitir a comparação entre os dois inquéritos; a segunda utiliza a cobertura mais completa disponível no levantamento de 2023/2024. O relatório alerta que diferenças na disponibilidade dos indicadores podem alterar os resultados.
Os números confirmam que a redução percentual da pobreza não tem sido suficiente para diminuir o total absoluto de cidadãos afectados. O desafio para as políticas públicas é transformar crescimento económico e desaceleração da inflação em acesso efectivo à escola, saúde, água, saneamento, energia e habitação adequada.
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