Madring prepara alterações ao traçado após críticas à falta de ultrapassagens no primeiro GP de Madrid
Os responsáveis do Madring já estudam alterações ao circuito para 2027, depois de a estreia do Grande Prémio de Espanha em Madrid ter sido marcada por poucas ultrapassagens e críticas de vários pilotos ao desenho de algumas curvas.
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Colaborador
A confirmação foi feita nesta quarta-feira, 7 de Outubro, durante a conferência Leaders Week London. Uma porta-voz do circuito reconheceu que a organização identificou aspectos a melhorar depois da primeira corrida de Fórmula 1 realizada no novo traçado, em Setembro.
O Madring estreou-se no Mundial entre 11 e 13 de Setembro. Construído em torno da IFEMA Madrid e de Valdebebas, o circuito semi-permanente tem aproximadamente 5,4 quilómetros e 22 curvas.
A expectativa antes da estreia era elevada, sobretudo em torno da La Monumental, a longa curva inclinada que se tornou na imagem de marca do projecto. Na corrida, porém, a dificuldade em seguir outros carros e criar oportunidades consistentes de ultrapassagem transformou-se num dos principais pontos de discussão.
Norris propõe eliminar duas curvas
Entre os pilotos que pediram mudanças está Lando Norris.
O campeão mundial sugeriu uma intervenção significativa no último sector: eliminar as curvas 18 e 19 e prolongar praticamente em linha recta o percurso entre a curva 17 e a curva 20.
A ideia permitiria criar uma zona de aceleração mais longa antes de uma travagem forte para a curva 20, aumentando teoricamente as possibilidades de ultrapassagem. Norris comparou o conceito a zonas de travagem existentes no Circuito das Américas, em Austin.
As curvas 5 e 6 são outro ponto sob análise. Alguns pilotos consideraram que a necessidade de virar enquanto se trava prejudicava a possibilidade de atacar um adversário.
A organização confirmou que mudanças em determinadas curvas estão a ser consideradas, embora qualquer modificação relevante ao traçado tenha de passar pela aprovação da FIA.
Pit lane também poderá ser encurtada
O problema não está apenas nas curvas.
Os pilotos defenderam igualmente uma pit lane mais curta. Uma perda de tempo demasiado elevada durante uma paragem nas boxes tende a desencorajar estratégias com múltiplas paragens, reduzindo as alternativas tácticas durante a corrida.
Uma redução desse tempo poderia criar maior diversidade estratégica, sobretudo quando combinada com as características dos pneus.
A organização terá ainda de trabalhar aspectos relacionados com a experiência dos espectadores. Durante a estreia foram registadas críticas sobre visibilidade afectada por algumas pontes pedonais e filas prolongadas nas zonas de alimentação e bebidas.
Organização acredita que primeira corrida também foi condicionada por cautela
Os responsáveis do Madring consideram, contudo, que o desenho da pista não explica sozinho a corrida pouco movimentada.
Acidentes registados nas categorias de apoio antes do Grande Prémio terão levado pilotos e equipas de Fórmula 1 a adoptar uma abordagem mais cautelosa. A gestão de energia dos novos monolugares de 2026 também foi apontada como um factor que dificultou ataques em determinados momentos.
Ainda assim, a organização admite que a primeira edição forneceu informação que simplesmente não estava disponível antes de 22 carros de Fórmula 1 competirem efectivamente no circuito.
Madrid tem contrato para receber o Grande Prémio de Espanha até 2035, pelo que as mudanças actualmente em estudo procuram melhorar já a segunda edição.
A estreia funcionou, assim, também como um primeiro teste em condições reais: o Madring conseguiu colocar o ambicioso projecto de pé, mas a prioridade para 2027 passa agora por transformar algumas das zonas do circuito em oportunidades genuínas de disputa em pista.
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Paulo Massunda