Luanda, Angola
Fórmula 1

Malásia estuda regresso permanente à Fórmula 1 após impacto económico de 233 milhões de dólares

O Governo da Malásia está a avaliar o regresso regular da Fórmula 1 a Sepang, depois de o Grande Prémio disputado em Outubro ter gerado um impacto económico estimado em 233 milhões de dólares.

Malásia estuda regresso permanente à Fórmula 1 após impacto económico de 233 milhões de dólares

Foto: DR

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Paulo Massunda

Colaborador

15 out 2026
5 min de leitura
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A Malásia poderá regressar ao calendário regular do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, depois de o Governo ter iniciado uma avaliação económica e financeira sobre a viabilidade de acolher novamente a competição.

O ministro da Juventude e Desportos, Mohammed Taufiq Johari, confirmou, nesta quinta-feira, 15 de Outubro, que estão a ser analisadas diferentes possibilidades, incluindo a realização anual da prova ou a organização de um Grande Prémio a cada poucos anos, em parceria com outro país.

Segundo a Reuters, numa reportagem publicada às 09h26, hora de Angola, o Executivo pretende apresentar um relatório de viabilidade ao Conselho de Ministros até Novembro, antes de tomar uma decisão.

Regresso excepcional reacendeu interesse pela Fórmula 1

A possibilidade surge depois de Sepang ter recebido, entre 2 e 4 de Outubro, o Grande Prémio do Bahrein de 2026, transferido para a Malásia devido à instabilidade no Médio Oriente.

O acordo extraordinário entre os governos da Malásia e do Bahrein, a Fórmula 1 e a FIA permitiu o regresso da competição ao circuito asiático, que não recebia uma prova do campeonato desde 2017.

A corrida foi vencida por Max Verstappen, da Red Bull, que terminou à frente de Kimi Antonelli, da Mercedes, e Lewis Hamilton, da Ferrari, de acordo com os resultados oficiais da Fórmula 1.

A realização da prova reacendeu o debate sobre a importância de Sepang no calendário internacional, sobretudo depois de o evento ter atraído aproximadamente 261 mil espectadores ao longo do fim-de-semana.

Governo estima impacto económico de 950 milhões de ringgits

Os dados apresentados pelo Ministério da Juventude e Desportos apontam para um impacto económico estimado em 950 milhões de ringgits, equivalentes a aproximadamente 233 milhões de dólares.

O valor inclui efeitos económicos associados ao turismo, hotelaria, restauração, transportes e outras actividades comerciais.

Contudo, o ministro advertiu que o desempenho de uma prova extraordinária não garante que os mesmos resultados possam ser alcançados anualmente.

O Governo pretende determinar se os benefícios económicos justificam os custos de organização, os direitos comerciais e os investimentos necessários nas infraestruturas.

A avaliação também deverá considerar o impacto sobre o financiamento das restantes modalidades desportivas e dos programas de formação de atletas.

Segundo o jornal malaio The Star, a comissão responsável pelo estudo reúne representantes de diferentes ministérios e da administração central.

Custos continuam a ser principal obstáculo

A Malásia recebeu regularmente a Fórmula 1 entre 1999 e 2017, mas acabou por abandonar o calendário devido ao aumento dos encargos financeiros e à diminuição da procura de bilhetes.

O regresso de Outubro ocorreu em condições excepcionais, com um modelo de financiamento diferente daquele que seria necessário para organizar uma prova própria.

Segundo uma avaliação anteriormente divulgada pelo director-executivo do Circuito Internacional de Sepang, Azhan Shafriman Hanif, a realização regular de um Grande Prémio poderia exigir pelo menos 300 milhões de ringgits por ano.

O valor reforça a necessidade de um estudo rigoroso antes da celebração de qualquer compromisso de longo prazo.

Organização partilhada surge como alternativa

Uma das soluções em análise consiste em realizar o Grande Prémio da Malásia de forma periódica, eventualmente através de acordos com outros países.

O modelo permitiria reduzir a frequência dos encargos e aproveitar o interesse internacional pelo circuito.

O ministro revelou ainda que o primeiro-ministro Anwar Ibrahim já manteve conversações preliminares com Stefano Domenicali, director-executivo da Fórmula 1, sobre a possibilidade de regresso.

Contudo, essas conversações não constituem um acordo comercial nem garantem a atribuição de uma vaga no calendário.

O campeonato possui compromissos de longo prazo com vários promotores, pelo que uma eventual entrada da Malásia também dependerá das negociações com os detentores dos direitos comerciais e das aprovações regulamentares necessárias.

Decisão poderá ser conhecida depois de Novembro

O Governo pretende concluir a avaliação de viabilidade até Novembro, quando o relatório deverá ser submetido ao Conselho de Ministros.

Até lá, não existe confirmação de um novo Grande Prémio da Malásia nem de uma data para o regresso regular da competição.

A hipótese ganha relevância pelo histórico de Sepang, considerado um dos circuitos mais exigentes da Fórmula 1, devido à combinação de longas rectas, curvas rápidas, temperaturas elevadas e possibilidade de chuva intensa.

Para a Malásia, a questão central será transformar a visibilidade internacional e os benefícios económicos demonstrados em Outubro num projecto financeiramente sustentável.

A decisão também poderá influenciar o debate sobre a expansão da Fórmula 1 na Ásia, região onde vários países procuram reforçar a presença nos grandes eventos internacionais.

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