Alpine contrata Mike Elliott como director técnico e reforça reconstrução da equipa
A Alpine contratou Mike Elliott para liderar a estrutura técnica e de engenharia da equipa de Fórmula 1 em Enstone.
Foto: F1
Paulo Massunda
Colaborador
O antigo responsável técnico da Mercedes regressa à Fórmula 1 como Chief Technical Officer (CTO) da Alpine, numa contratação destinada a fortalecer uma estrutura que procura aproximar-se das quatro principais equipas do campeonato.
Elliott estava afastado da categoria desde o final de 2023, quando deixou a Mercedes. Agora regressa também a uma fábrica que conhece: trabalhou em Enstone entre 2008 e 2012, quando a equipa competia como Renault, exercendo funções de principal responsável pela aerodinâmica.
Elliott ficará acima de várias áreas técnicas
O cargo atribuído ao britânico tem uma abrangência importante. Segundo a própria Alpine, Elliott ficará encarregado de liderar e supervisionar as funções técnicas e de engenharia na fábrica de Enstone.
A nomeação não significa simplesmente substituir o actual director técnico, David Sanchez. Elliott chega como CTO, com uma responsabilidade mais ampla sobre a organização técnica, enquanto Sanchez permanece identificado pela Formula 1 como responsável técnico da equipa.
A estrutura de liderança conta ainda com Flavio Briatore como Executive Advisor e Steve Nielsen como Managing Director.
É, portanto, mais uma peça acrescentada ao processo de reorganização que a Alpine tem realizado em Enstone.
Experiência construída na era dominante da Mercedes
Elliott leva para a Alpine 23 anos de experiência na Fórmula 1.
Começou como aerodinamicista na McLaren em 2000, passou posteriormente pela Renault e, em 2012, mudou-se para a Mercedes. Na formação alemã tornou-se chefe de aerodinâmica, depois Technology Director entre 2017 e 2021 e finalmente director técnico entre 2021 e 2023.
Em 2023, trocou funções com James Allison e passou a ocupar precisamente o cargo de CTO. Deixou a Mercedes cerca de seis meses depois.
A Alpine destaca que Elliott participou, ao longo da carreira, em projectos que conquistaram oito Mundiais de Construtores e oito de Pilotos.
A experiência adquirida na Mercedes é particularmente relevante para uma Alpine que tenta construir uma estrutura capaz de produzir resultados sustentáveis, e não apenas melhorias pontuais.
Alpine quer transformar recuperação em aproximação ao top-4
A contratação acontece numa temporada em que a equipa mostrou sinais de recuperação.
Depois de 14 Grandes Prémios, a Alpine ocupa o sexto lugar no Mundial de Construtores, com 68 pontos, tendo conquistado uma pole position e 17 resultados dentro do top-10 entre as corridas principais. Ainda não conseguiu, porém, chegar ao pódio em 2026.
A própria equipa estabelece claramente a dimensão do desafio entregue a Elliott: reforçar as capacidades técnicas, aproveitar a melhoria observada em pista e reduzir a diferença para as quatro primeiras equipas.
Isso coloca a contratação num contexto maior do que simplesmente terminar melhor a actual temporada.
A Alpine pretende consolidar uma base técnica capaz de transformar Enstone novamente numa estrutura regularmente competitiva na frente do pelotão.
Regresso acontece numa Alpine diferente
Elliott regressará a uma fábrica que conhece, mas encontrará uma organização bastante diferente daquela que deixou em 2012.
Além das alterações de liderança, a Alpine atravessou uma mudança estratégica importante no projecto de Fórmula 1. O objectivo actual passa por concentrar os recursos de Enstone no desenvolvimento do chassis e das restantes áreas de performance, procurando uma estrutura técnica mais estável.
O conhecimento anterior de Elliott sobre a fábrica pode facilitar a integração, mas a missão será agora muito mais abrangente do que no primeiro período em Enstone.
Ele terá de ajudar a definir processos, coordenar departamentos e garantir que as diferentes áreas técnicas trabalhem sob uma direcção comum.
Contratação também aumenta pressão por resultados
A chegada de um engenheiro com o currículo de Elliott eleva inevitavelmente as expectativas.
A Alpine tem realizado sucessivas mudanças na estrutura nos últimos anos sem conseguir estabelecer-se permanentemente entre as principais equipas. Elliott chega, portanto, num momento em que a prioridade não é apenas acrescentar nomes experientes, mas transformar essa reorganização em desempenho.
Pierre Gasly e Franco Colapinto continuam como pilotos da equipa nesta temporada.
Para Elliott, a missão será utilizar a experiência acumulada na McLaren, Renault e principalmente Mercedes para ajudar a Alpine a reduzir uma diferença que continua significativa.
A contratação representa, assim, mais um investimento da equipa na reconstrução de Enstone — desta vez colocando um antigo director técnico da Mercedes no topo da supervisão técnica e de engenharia.
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