Honda muda liderança do programa de motores da F1 após início difícil com a Aston Martin
A Honda vai mudar o comando do seu programa de unidades de potência da Fórmula 1 após uma primeira temporada difícil ao lado da Aston Martin.
Foto: F1
Paulo Massunda
Colaborador
A fabricante japonesa confirmou que Yoichiro Fukao assumirá, a partir de 1 de Outubro, o cargo de Large Project Leader (LPL) do projecto de Fórmula 1, substituindo Tetsushi Kakuda, responsável pelo desenvolvimento da actual unidade de potência.
Fukao já ocupa uma posição central na estrutura: é actualmente vice-líder do projecto de F1 e responsável pela área de software. Segundo a Honda, a alteração faz parte de uma transição planeada, destinada a acelerar o desenvolvimento e assegurar a transferência de conhecimento técnico para uma nova geração de engenheiros.
Honda procura resposta após arranque complicado
A mudança acontece numa temporada em que a parceria de fábrica entre Honda e Aston Martin ficou bastante abaixo das expectativas.
A Aston Martin passou grande parte da primeira metade da época no fundo do pelotão, enfrentando dificuldades tanto no chassis como na unidade de potência. O motor Honda sofreu inicialmente com vibrações, problemas de fiabilidade e défice de desempenho relativamente aos principais concorrentes.
Adrian Newey explicou no início da temporada que o problema de vibração estava a consumir grande parte dos recursos técnicos disponíveis. Segundo o responsável da Aston Martin, a Honda precisava primeiro de resolver questões fundamentais de equilíbrio e amortecimento antes de concentrar plenamente os esforços na procura de potência.
A própria Honda reconheceu recentemente que ainda existe défice de desempenho. Depois do GP de Itália, o engenheiro-chefe Shintaro Orihara afirmou que a unidade de potência continuava a perder terreno em performance.
“Spec 2” ainda não resolveu todos os problemas
A Honda já reagiu tecnicamente durante a temporada.
Uma unidade de potência profundamente revista, denominada “Spec 2”, foi testada inicialmente num filming day da Aston Martin no Hungaroring e estreou-se oficialmente no Grande Prémio dos Países Baixos.
A evolução surgiu depois de a Aston Martin introduzir uma versão B do AMR26 na Hungria. O objectivo era atacar separadamente os dois grandes problemas do projecto: primeiro o chassis e, posteriormente, a unidade de potência.
Apesar dos progressos, a nova especificação ainda não eliminou completamente as dificuldades. Em Monza, circuito particularmente exigente em potência e eficiência nas rectas, Fernando Alonso terminou o FP2 apenas em 19.º, enquanto Lance Stroll ficou ainda mais atrás.
Fukao conhece profundamente o projecto Honda
A escolha de Yoichiro Fukao representa uma aposta na continuidade interna e não uma contratação externa.
O engenheiro entrou na Honda em 2002, trabalhando inicialmente no desenvolvimento dos sistemas de controlo do motor e da caixa de velocidades para a Fórmula 1. Posteriormente passou pelo desenvolvimento de sistemas híbridos para automóveis de produção e chegou também a trabalhar no projecto da Honda no MotoGP.
Regressou à área da Fórmula 1 em 2014 e, três anos depois, tornou-se vice-líder do projecto. Voltou a ocupar essa posição na Honda Racing Corporation em 2022, participando directamente na preparação do regresso da fabricante como fornecedora oficial de motores.
A experiência de Fukao em sistemas de controlo, software e tecnologia híbrida ganha particular importância na actual geração de unidades de potência, que aumentou significativamente a componente eléctrica.
Honda já olha para 2027
A própria Honda deixa claro que a reorganização não pretende apenas resolver os problemas imediatos.
A fabricante considera necessário preparar antecipadamente a estrutura para novas alterações regulamentares previstas a partir de 2027 e pretende estabelecer uma base de desenvolvimento capaz de entregar uma unidade de potência mais competitiva.
A decisão torna-se ainda mais importante porque a Aston Martin é a única equipa abastecida pela Honda nesta nova fase da Fórmula 1. Depois do fim da ligação à Red Bull, a fabricante japonesa regressou oficialmente como parceira exclusiva da formação de Silverstone em 2026.
Isso transforma os resultados da Aston Martin numa medida directa do desempenho do projecto Honda.
Aston Martin continua processo de reconstrução
Do lado do chassis, a equipa também está a efectuar mudanças profundas.
A chegada de Adrian Newey e a introdução do AMR26 profundamente revisto na Hungria começaram a produzir alguns sinais de evolução. A actualização permitiu à equipa aproximar-se do meio do pelotão, enquanto a Honda tenta fazer o mesmo na componente da unidade de potência.
A mudança de liderança no programa japonês surge, portanto, como mais uma etapa dessa reconstrução.
O desafio de Fukao será transformar os progressos técnicos alcançados durante 2026 numa unidade de potência capaz de permitir que Aston Martin e Honda deixem definitivamente o fundo da grelha — e, sobretudo, evitar que os problemas desta temporada sejam transportados para 2027.
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