Angola recebe 861 profissionais de saúde após formação no exterior
O Projecto de Fortalecimento dos Recursos Humanos em Saúde já trouxe de volta ao país 861 bolseiros, enquanto outros 99 profissionais se preparam para iniciar formação especializada no exterior.
Foto: DR
Redacção
Os dados foram apresentados na segunda-feira, 5 de Outubro, durante uma cerimónia realizada no Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, em Luanda, segundo noticiaram OPAÍS e o Jornal de Angola.
Os profissionais regressados concluíram formações em áreas como neuroanestesiologia, neonatologia, saúde mental, farmacologia clínica, análises clínicas, endoscopia respiratória, cuidados de pacientes críticos e hotelaria hospitalar.
O coordenador técnico do projecto, Job Monteiro, anunciou que a estratégia passará a privilegiar equipas multidisciplinares nos cuidados primários. A formação de médicos de Medicina Geral e Familiar deverá, por isso, ser acompanhada pela preparação de enfermeiros e técnicos capazes de prestar assistência integrada nas comunidades.
Job Monteiro anunciou também o reforço da telemedicina, para permitir que profissionais colocados em municípios distantes dos grandes centros recebam apoio de especialistas. A medida poderá reduzir encaminhamentos desnecessários e melhorar a capacidade de diagnóstico nas unidades com menor disponibilidade de quadros especializados.
O programa prevê a especialização de 3.000 médicos e inclui formações em Saúde Pública e Entomologia, áreas relevantes para os cuidados primários e para a prevenção e controlo de doenças.
A iniciativa integra o Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde, lançado pelo Ministério da Saúde com financiamento do Banco Mundial. A meta oficial estabelecida no lançamento do projecto era formar 38 mil profissionais entre 2024 e 2027, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos de diagnóstico e terapêutica, pessoal de apoio hospitalar e funcionários do regime geral. O plano determinava que 80% da formação fosse realizada em Angola e 20% no exterior.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em Setembro indicavam que 21.713 profissionais já tinham beneficiado das diferentes componentes do programa, correspondentes a 57,13% da meta de 38 mil. Os 861 bolseiros agora contabilizados representam apenas os profissionais enviados ao exterior que já regressaram, e não o universo total de beneficiários.
O impacto efectivo da formação dependerá da integração e distribuição destes especialistas pelas unidades sanitárias, sobretudo nos municípios com maior carência de quadros. As fontes consultadas não apresentam, por enquanto, a repartição dos 861 profissionais por província, especialidade ou hospital.
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