Luanda, Angola
Ciência

Novo telescópio espacial da NASA “abre os olhos” pela primeira vez e prepara levantamento sem precedentes do Universo

A NASA activou com sucesso a câmara principal de 300 megapíxeis do telescópio Nancy Grace Roman, que já recebeu os primeiros fotões de estrelas no espaço.

Novo telescópio espacial da NASA “abre os olhos” pela primeira vez e prepara levantamento sem precedentes do Universo

Foto: NASA/Goddard

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Redacção

16 set 2026
5 min de leitura
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O Nancy Grace Roman Space Telescope alcançou um dos momentos mais importantes desde o seu lançamento: a NASA confirmou em 15 de Setembro que o Wide Field Instrument (WFI), a principal câmara científica do observatório, foi activado com sucesso e captou pela primeira vez luz proveniente de estrelas.

O teste representa uma etapa decisiva para um telescópio concebido para investigar algumas das maiores questões da astronomia moderna, incluindo a natureza da energia escura, a distribuição da matéria no Universo e a procura de planetas fora do Sistema Solar.

O Roman foi lançado em 30 de Agosto de 2026, a bordo de um Falcon Heavy, e encontra-se actualmente a viajar para a região do segundo ponto de Lagrange Sol-Terra, L2, situada a cerca de 1,6 milhões de quilómetros da Terra.

Primeira luz chegou à câmara — mas ainda não é uma fotografia científica

A NASA divulgou uma imagem de teste que contém os primeiros fotões de luz estelar recebidos pelo Wide Field Instrument no espaço.

A imagem aparece deliberadamente desfocada. A matriz de detectores encontrava-se ainda na configuração utilizada durante o lançamento e, portanto, longe da posição de foco necessária para as observações científicas.

O objectivo não era produzir uma fotografia espectacular do cosmos, mas verificar se o instrumento sobreviveu ao lançamento e consegue efectivamente receber e detectar luz.

“Depois de anos de trabalho para construir e testar o instrumento no solo, temos agora a confirmação de que está operacional no espaço”, afirmou Josh Schlieder, cientista do Wide Field Instrument no Goddard Space Flight Center da NASA.

Uma câmara de 300 megapíxeis para cartografar o Universo

O WFI possui aproximadamente 300 megapíxeis e observa principalmente no infravermelho.

A combinação entre resolução e campo de visão constitui uma das principais diferenças relativamente ao Hubble Space Telescope.

Segundo a NASA, cada exposição do Roman poderá abranger uma região do céu maior do que a Lua cheia aparenta vista da Terra, mantendo uma nitidez comparável à dos grandes telescópios espaciais existentes.

Em termos gerais, o campo de visão do Roman será pelo menos 100 vezes superior ao do Hubble, permitindo observar grandes áreas do Universo muito mais rapidamente.

Isso transforma o Roman numa espécie de gigantesco cartógrafo cósmico.

Enquanto observatórios como o James Webb conseguem estudar objectos individuais com enorme detalhe, o Roman foi concebido para realizar levantamentos extensos, identificar populações inteiras de galáxias, estrelas e sistemas planetários e fornecer alvos para investigações posteriores.

Até mil milhões de galáxias

A dimensão prevista para os levantamentos explica o interesse científico da missão.

A NASA estima que o Wide Field Instrument poderá medir a luz proveniente de cerca de mil milhões de galáxias ao longo da missão.

Ao observar como essas galáxias estão distribuídas e como a estrutura do Universo evoluiu ao longo do tempo, os investigadores esperam testar diferentes explicações para um dos maiores mistérios da cosmologia: por que razão a expansão do Universo está a acelerar.

A energia escura é actualmente utilizada para descrever o fenómeno responsável por essa aceleração, mas a sua verdadeira natureza permanece desconhecida.

O Roman deverá utilizar diferentes métodos cosmológicos para testar o comportamento dessa expansão e mapear a distribuição da matéria em enormes volumes do Universo.

Também poderá encontrar milhares de novos mundos

O telescópio terá igualmente uma missão importante na investigação de exoplanetas.

Através de observações de microlente gravitacional — fenómeno em que a gravidade de uma estrela amplifica temporariamente a luz de outra mais distante — o Roman poderá detectar planetas que seriam extremamente difíceis de encontrar por outros métodos.

A missão deverá realizar um verdadeiro censo estatístico de sistemas planetários da Via Láctea.

Ao lado da câmara principal encontra-se ainda o Coronagraph Instrument, uma demonstração tecnológica destinada a bloquear a intensa luz das estrelas para permitir observar directamente planetas muito mais ténues que as orbitam.

A NASA confirmou agora que esse instrumento também realizou os primeiros movimentos digitais, electrónicos e mecânicos desde que foi activado no espaço.

Roman ainda não começou a fazer ciência

Apesar do sucesso, o telescópio ainda está numa fase de comissionamento.

Os instrumentos terão de passar por uma sequência de calibrações, testes electrónicos, ajustes ópticos e verificações de desempenho antes de começarem as observações científicas regulares.

O Roman continua igualmente a deslocar-se para a sua região operacional próxima de L2.

A NASA prevê divulgar as primeiras imagens científicas no início de 2027.

Por isso, o acontecimento desta semana não deve ser confundido com o início formal da missão científica.

O que aconteceu é tecnicamente anterior — e fundamental: a principal câmara que deverá observar até mil milhões de galáxias foi ligada no espaço, recebeu luz estelar e respondeu como previsto.

Depois do lançamento bem-sucedido, é a confirmação de que o instrumento central do Roman sobreviveu à viagem inicial e está preparado para entrar na fase de calibração que antecede a exploração do Universo.

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