Banco Mundial revê crescimento de Angola para 4,5% em 2026
A economia angolana deverá crescer 4,5% este ano, impulsionada pela actividade não petrolífera e pela recuperação da produção de petróleo.
Foto: DR
A nova previsão consta da actualização económica divulgada pelo Banco Mundial, que aponta para uma aceleração face ao crescimento de 3,1% estimado para 2025. A instituição espera, contudo, que o ritmo abrande para uma média anual de 3,2% entre 2027 e 2028.
A revisão é sustentada pelo desempenho registado no primeiro semestre de 2026, período em que a economia cresceu 7,2%. Segundo o Banco Mundial, a indústria transformadora, as comunicações e o comércio impulsionaram a actividade não petrolífera, enquanto a produção de petróleo recuperou 3%.
O ambiente externo também melhorou: a conta-corrente passou de um défice equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto no segundo semestre de 2025 para um excedente de 2% no primeiro semestre deste ano. As reservas internacionais cobrem mais de sete meses de importações.
Apesar do crescimento, os indicadores laborais continuam desfavoráveis. O desemprego subiu de 20,3% para 21,5% no segundo trimestre e aproximadamente 80% dos empregos permanecem no sector informal. O Banco Mundial considera, por isso, que o principal desafio será transformar a expansão económica em emprego formal, rendimento e redução da pobreza.
A instituição prevê que a agricultura e os serviços — sobretudo logística, comunicações e comércio — sejam os principais motores da economia no médio prazo, num contexto de declínio estrutural da produção petrolífera. A inflação deverá permanecer próxima de 10% entre 2026 e 2028, enquanto a dívida pública deverá estabilizar em torno de 50% do PIB.
A previsão do Banco Mundial é substancialmente mais optimista do que a do Fundo Monetário Internacional. No relatório da consulta de 2026, o FMI projectou crescimento de 2,3%, baseado num cenário de contenção da despesa pública e expansão mais moderada dos sectores petrolífero e não petrolífero. A diferença evidencia a incerteza que ainda envolve o preço do petróleo, a execução das reformas e o desempenho efectivo da produção.
Para os cidadãos, a revisão representa uma perspectiva económica mais favorável, mas não significa automaticamente melhoria do poder de compra. O impacto dependerá da criação de empregos, do controlo da inflação e da capacidade de o crescimento chegar às famílias e às pequenas empresas.
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