Luanda, Angola
Tecnologia

Geely eleva carregamento de carros eléctricos para 2,2 MW e recupera 60% da bateria em 4,5 minutos

A Geely apresentou um sistema de carregamento de 2,2 megawatts capaz de elevar a bateria de um automóvel eléctrico de 10% para 70% em apenas quatro minutos e meio, aproximando o tempo de paragem dos eléctricos do abastecimento convencional.

Geely eleva carregamento de carros eléctricos para 2,2 MW e recupera 60% da bateria em 4,5 minutos

Foto: DR

Pa

Paulo Massunda

Colaborador

24 set 2026
5 min de leitura
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A Geely apresentou nesta quarta-feira, 23 de Setembro, em Ningbo, na China, a sua nova geração de carregamento ultrarrápido para veículos eléctricos, acompanhada por uma bateria de nova geração e pela versão actualizada do Galaxy E5.

A empresa promove a tecnologia com a expressão “carregamento em quatro minutos”, mas os números completos divulgados no lançamento permitem definir com maior rigor aquilo que foi demonstrado: 10% a 70% em 4,5 minutos e 10% a 97% em oito minutos e 40 segundos, em condições normais de temperatura ambiente.

A distinção é importante porque a velocidade de carregamento de um automóvel eléctrico não é constante durante todo o processo. A potência tende a diminuir à medida que a bateria se aproxima da capacidade máxima, para controlar temperatura e degradação.

Sistema atinge potência máxima de 2,2 megawatts

O novo carregador possui capacidade máxima de 2,2 MW, colocando a Geely directamente na corrida pelos sistemas de carregamento de potência superior a um megawatt.

É uma escala que, há poucos anos, estava essencialmente associada a projectos destinados a camiões eléctricos.

Para comparação, a rival chinesa BYD apresentou este ano uma nova geração do seu sistema Flash Charging, capaz de levar uma bateria de 10% a 97% em aproximadamente nove minutos.

A Geely conseguiu agora reduzir ligeiramente esse tempo para oito minutos e 40 segundos, ao mesmo tempo que acelera fortemente a primeira parte do carregamento.

Zhang Dewang, executivo da empresa, considera que as velocidades actuais já começam a aproximar-se dos limites físicos do carregamento e que futuros aumentos de potência produzirão ganhos progressivamente menores.

Inteligência artificial controla bateria e temperatura

O desafio técnico não consiste apenas em colocar mais electricidade dentro da bateria.

Potências desta dimensão produzem grandes quantidades de calor e podem acelerar a degradação das células se a temperatura e a corrente não forem cuidadosamente controladas.

É aqui que entra o componente de inteligência artificial apresentado pela Geely.

O sistema utiliza gémeos digitais da bateria na nuvem, combinados com modelos de deep learning executados no próprio automóvel, para acompanhar continuamente o estado das células, gerir a temperatura e tentar antecipar potenciais riscos.

A estratégia de carregamento pode, assim, ser ajustada à condição concreta de cada bateria, em vez de aplicar exactamente a mesma curva de potência a todos os veículos.

A Geely afirma que pretende utilizar esta combinação para equilibrar três factores que normalmente entram em conflito: velocidade, segurança e vida útil da bateria.

A eficácia desse sistema a longo prazo ainda terá de ser demonstrada através de utilização prolongada no mundo real.

Galaxy E5 será um dos primeiros veículos a explorar a tecnologia

O lançamento coincide com uma grande actualização do eléctrico Galaxy E5.

O novo modelo adopta uma arquitectura de 800 volts e baterias Aegis Short Blade de nova geração. A versão anunciada para o mercado chinês inclui opções de aproximadamente 61,5 e 70 kWh.

A arquitectura de alta tensão é essencial porque permite transferir grandes quantidades de energia reduzindo parte das perdas e do calor que seriam produzidos com correntes ainda maiores.

A própria evolução das baterias da Geely mostra a velocidade da mudança.

Em 2024, a empresa apresentava oficialmente a sua Short Blade Battery com um tempo médio de 17 minutos e quatro segundos para carregar de 10% a 80%.

Dois anos depois, a empresa está a trabalhar com sistemas de potência de vários megawatts.

Carregar tão depressa exige também reconstruir a infra-estrutura

Existe, porém, uma limitação importante.

Um automóvel compatível não consegue atingir estas velocidades numa estação convencional de carregamento rápido. É necessária uma infra-estrutura capaz de fornecer potência próxima dos 2,2 megawatts.

Isto transfere parte do desafio tecnológico da bateria para a rede eléctrica.

Várias estações a carregar simultaneamente nesta escala podem exigir ligações de elevada potência, transformadores, sistemas de armazenamento e gestão inteligente da procura. A expansão comercial da tecnologia dependerá, portanto, não apenas da quantidade de automóveis compatíveis, mas também da velocidade com que os carregadores forem instalados.

É precisamente neste ponto que a competição chinesa começa a acelerar.

A BYD planeia uma forte expansão da sua rede de carregamento ultrarrápido, enquanto Geely considera que o mercado poderá evoluir para um modelo semelhante ao das actuais estações de combustível, com infra-estruturas utilizadas por veículos de diferentes marcas.

China transforma tempo de carregamento numa nova frente da guerra dos eléctricos

A tecnologia chega num momento difícil para o mercado automóvel chinês.

Segundo a Reuters, as vendas de veículos eléctricos na China registaram quedas durante 11 meses consecutivos até Agosto, aumentando a pressão para que os fabricantes encontrem novas características capazes de convencer consumidores a trocar de automóvel.

Autonomia deixou, entretanto, de ser o único argumento.

Fabricantes chineses competem agora em condução assistida, inteligência artificial, arquitectura eléctrica, segurança das baterias e velocidade de carregamento.

A importância do anúncio da Geely está precisamente nessa última variável.

Se velocidades próximas das demonstradas nesta quarta-feira forem reproduzidas de forma consistente, segura e sem degradação excessiva da bateria, uma das diferenças práticas mais perceptíveis entre automóveis eléctricos e veículos a gasolina ou gasóleo começa a diminuir significativamente.

O obstáculo seguinte deixa de estar apenas dentro do automóvel: passa para as estações e redes eléctricas capazes de entregar vários megawatts de potência quando milhares ou milhões de condutores precisarem deles simultaneamente.

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Categoria:Tecnologia

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