Luanda, Angola
Economia

Moody’s melhora perspectiva de Angola para positiva e mantém rating em B3

A Moody’s alterou de estável para positiva a perspectiva da dívida soberana de Angola, mantendo a classificação em B3, ainda abaixo do grau de investimento.

Moody’s melhora perspectiva de Angola para positiva e mantém rating em B3

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Redacção

1 out 2026
5 min de leitura
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A decisão, anunciada pela agência de notação financeira Moody’s Ratings em 25 de Setembro, reflecte, segundo a instituição, uma trajectória de maior estabilidade macroeconómica de Angola, tanto em períodos de preços elevados como baixos do petróleo. A informação foi reportada pela Lusa e confirmada por outras publicações económicas.

A Moody’s manteve, contudo, a classificação soberana de Angola em B3, pelo que a melhoria da perspectiva não representa, por si só, uma subida imediata do rating. A classificação continua abaixo do grau de investimento, mantendo o país exposto a custos de financiamento mais elevados e a riscos associados à sua dependência do petróleo.

Segundo a agência, a melhoria da perspectiva está relacionada com o reforço da gestão macroeconómica, que tem contribuído para a redução da dívida pública e dos custos com juros. A Moody’s estima que a dívida pública alcance cerca de 46% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2026, enquanto os encargos com juros deverão representar aproximadamente 23% das receitas do Estado.

A análise da Moody’s aponta ainda para uma melhoria dos indicadores de inflação. Segundo os dados citados pela agência, a inflação anual caiu para 8,8% em Agosto de 2026, contra 19% no mesmo mês do ano anterior. A economia terá também registado um crescimento homólogo de 8,7% no segundo trimestre, enquanto o crescimento do sector não petrolífero permaneceu acima de 5% pelo segundo ano consecutivo.

Apesar destes avanços, a Moody’s mantém reservas quanto à exposição de Angola ao sector petrolífero. A agência considera que a dependência dos hidrocarbonetos continua a representar uma vulnerabilidade para as receitas públicas e para as contas externas, sobretudo perante uma eventual queda dos preços internacionais do petróleo.

Outro factor de risco é a composição da dívida pública. De acordo com a análise divulgada sobre a decisão da Moody’s, cerca de 80% da dívida do Governo está denominada em moeda estrangeira, o que deixa as finanças públicas particularmente sensíveis a movimentos de desvalorização do kwanza.

A agência considera que a continuidade das melhorias na eficácia das políticas monetária e cambial, acompanhada pelo fortalecimento da actividade económica não petrolífera, poderá contribuir para reduzir o risco de deterioração dos indicadores da dívida e reforçar o perfil de crédito soberano de Angola.

A alteração da perspectiva ocorre num momento em que Angola procura consolidar a redução do peso da dívida e melhorar as condições de financiamento externo. A avaliação da Moody’s poderá, por isso, ter impacto na percepção de risco do país junto dos investidores e nos custos associados a futuras emissões de dívida soberana.

Para Angola, a perspectiva positiva significa que uma eventual melhoria da classificação poderá tornar-se mais provável nos próximos 12 a 18 meses caso a trajectória macroeconómica se mantenha. Mas não significa que Angola tenha deixado o segmento de rating especulativo: a classificação permanece em B3.

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Categoria:Economia

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